18/01/11 - Ofuxico

Olha mais um aí! Vai para a coleção! :-D
Só uma pequena correção. Ouvi da produção que a estréia será em São Paulo, no segundo semestre de 2011.


Atriz vai atuar no espetáculo Condomínio dos Monstros

...Em conversa com O Fuxico, a atriz contou a novidade e já adiantou que vai dividir o palco com Samantha Schmütz: “Estou super contente com esse novo papel na peça infantil Condomínio dos Monstros...

Licença involuntária. Isso é piada?

Infelizmente não. Acredite se quiser, a licença involuntária é a institucionalização do roubo que poderá ser cometido contra escritores, ilustradores, músicos e artistas em geral.

Bem, deixa eu resumir a história toda. Existe uma proposta, criada no governo passado, durante a gestão do ex-Ministro da Cultura Juca Ferreira, para alterar a atual Lei dos Direitos Autorais. Tá bom! Todos sabemos que a LDA precisa ser alterada para se adaptar aos novos tempos, à nova tecnologia, etc. Quanto a isso não há discussão. Refiro-me aqui à trechos do artigo 46 dessa proposta. São eles:
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Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais a utilização de obras protegidas, dispensando-se, inclusive, a prévia e expressa autorização do titular e a necessidade de remuneração por parte de quem as utiliza, nos seguintes casos:
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XVII – a reprodução, sem finalidade comercial, de obra literária, fonograma ou obra audiovisual, cuja última publicação não estiver mais disponível para venda, pelo responsável por sua exploração econômica, em quantidade suficiente para atender à demanda de mercado, bem como não tenha uma publicação mais recente disponível e, tampouco, não exista estoque disponível da obra ou fonograma para venda;
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Parágrafo único. Além dos casos previstos expressamente neste artigo, também não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução, distribuição e comunicação ao público de obras protegidas, dispensando-se, inclusive, a prévia e expressa autorização do titular e a necessidade de remuneração por parte de quem as utiliza, quando essa utilização for:
I – para fins educacionais, didáticos, informativos, de pesquisa ou para uso como recurso criativo;
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Uau! Alguém consegue enxergar o óbvio? Liberou geral! U-hu!

Vamos tentar entender o outro lado da moeda? Sou escritor. Algumas de minhas histórias levam meses para ficarem prontas. São noites de pouco sono, horas no computador, outras pesquisando livros, revisando o que foi escrito e por aí vai. Tempo e energia gastos só para conseguir terminar o texto que nem sei se será publicado. Depois vem as despesas com os correios, telefonemas para editores, algumas frustrações, algumas alegrias, negociação, lançamento, palestras, feiras, bienais, passagens, almoços, etc. Em meio a tudo isso, o livro finalmente é publicado. Quatro meses depois o autor recebe o primeiro pagamento, normalmente 10% do preço de capa dos livros vendidos, as vezes nem isso.

Como vê, é muito trabalho e pouco retorno. Férias? Plano de saúde? Vale-refeição? Décimo-terceiro? Nananinanão!

Poucos autores vivem somente de sua arte. Nem mesmo aqueles com anos de bagagem e vários livros lançados tem a vida fácil. Grande parte do parco dinheiro que nós, autores de literatura infantil e juvenil, recebemos vem de programas de governo, como o PNBE, kits literários de municípios e similares. Nossa aposentadoria são os livros. A herança de nossos filhos são os livros.

Aí você lê comentários que dizem: "Para mim uma ideia vale 50 centavos." (juro que li isso) "O escritor tem que procurar outra forma de ganhar dinheiro. O músico não vende shows? Então que vá dar palestras!" (nesse eu queria bater)

Tenho acompanhado os últimos acontecimentos na pasta da Cultura. Apoio a nova ministra Ana de Hollanda e acho que ela fará um ótimo trabalho. Tenho esperanças que ela corrija esse e outros artigos da nova LDA, embora esteja sofrendo pressões incríveis de grupos que visam lucrar com a mudança. Uma de suas primeiras ações foi retirar do site do MinC a referência ao Creative Commons (http://www.creativecommons.org.br/). Bem, quero deixar aqui bem claro que eu particularmente não tenho NADA contra o CC. Ao contrário, acho bastante interessante. Mas voltando ao assunto, é impressionante a avalanche de críticas que tal ato deslanchou. A mulher nem começou a trabalhar e já sofre um tremendo bullying político.

Agora veja a nova lei: Dispensa-se a autorização e remuneração do autor quando houver fins educacionais, didáticos, informativos...

Ou seja, faça o que quiser pois qualquer utilização pode se encaixar em um desses motivos. Pegue o texto e coloque-o todo em um blog. O autor que se lixe! Imagine a quantidade de gente que vai ganhar dinheiro com isso? Ah! Mas ganhar dinheiro não pode? Então o trabalho do autor será passar o dia inteiro pesquisando quem ganha dinheiro com seu texto ou não? Faça-me o favor!

A ideia por trás da nova lei é ampliar o acesso à cultura. Dar cultura para quem não tem. Acho lindo, mas a custa do quê? Quem vai se dar mal nessa história? Como justificar que o trabalho de alguém seja utilizado gratuitamente e sem a necessidade da autorização de quem o criou?

Se querem ajudar, então construam bibliotecas públicas em comunidades carentes. Cortem impostos de editoras, gráficas, livrarias, e quem mais estiver envolvido na produção, para poder diminuir o custo e abaixar os preços. Recentemente, aqui no Rio de Janeiro, fecharam a Modern Sound, Letras & Expressões, Renovar, Dona Laura e Siciliano (do Leblon). A DaConde encerrará suas atividades no próximo dia 31. Por que ninguém se manifesta? Cadê a ajuda para os livreiros?

Não acredito que essa turma ache que estejamos ganhando dinheiro demais com nossos livros. Creio sim que eles estão querendo holofotes sociais e economizar uma grana com a compra de livros para escolas. Grana essa que possivelmente será aplicada em benefícios aos seus partidos.

Se os espertinhos querem cultura de graça, então que abram mão dos seus altos salários. Vamos fazer um plebicito para reduzir os ganhos dos políticos para um salário mínimo? Quer apostar como a imensa maioria da população vai apoiar? Fazer caridade com o dinheiro dos outros é mole, não é? Aliás, já que estamos nisso, eu acho que educação tem que ser de graça também. Saúde idem. E a alimentação? Hoje cultura vem pela televisão e internet. Então energia de graça para todos!

Vou começar a escrever em inglês e procurar espaço lá fora. Se a lei passar do jeito que está, não escreverei mais uma linha em português. Imagine se todos fizessem o mesmo?

E para finalizar esse desabafo, copio aqui o que o colega Antonio Nunes, o Tonton, da terra do frevo e do maracatu, ressaltou em uma lista de autores: "...veja-se o que dispõe o Art 5o, XXVII, da CF/88: "Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissivel aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar". Logo, o famigerado art. 46 da proposta de revisão da LEi de DA é INCONSTITUCIONAL, pois fere diretamente imperativo da Lei Maior de nosso país."

24/01/11 - Entrevista de Nathalia Wigg ao Portal Ilha Carioca

Nathalia Wigg é minha amiga e escritora talentosa, acostumada ganhar prêmios literários por onde passa. Hoje li uma entrevista que ela deu, na qual menciona meu nome e de outros amigos da Bodega Literária entre os escritores que ela admira. Estou lisonjeado! Obrigado, Nathalia!


Aos 26 anos a escritora insulana Nathalia Wigg vem colecionando prêmios. Graduada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Língua Portuguesa, a escritora já produziu centenas de textos e já publicou seus trabalhos até no exterior...

Book - Revolução Tecnológica

Criado por leerestademoda.com

12/01/11 - Te Contei

Maneiríssimo! Começaram a sair as notas sobre o espetáculo infantil "Condomínio dos Monstros" na mídia. E viva 2011!


"...Em março vou estrear a peça infantil 'Condomínio dos Monstros', no Rio, e vou viver uma bruxa. Estou amando fazer um personagem malvado..."

2010 - Instituto Eros Gustavo - Contagem-MG

Olha que bacana. Que eu saiba, já é a segunda turma que encena o texto. Feliz aqui!


“A turma do 3º ano da professora Andréia Correia leu um excelente livro.”

Os alunos participaram de um júri retratando o mesmo que é relatado no livro. Assistimos encantados as acusações e defesas dos alunos, que discursaram sobre os valores dos alimentos e a importância da higiene bucal.

Minicontos macabros

Os textos abaixo não são indicados para quem tem o coração fraco. Depois não diga que eu não avisei! :-D 

Monstrinho

Rodolfo nasceu miudinho e lindo de morrer.
- Reparem só nos cachinhos esverdeados! – suspirou a mãe.
- E os expressivos olhinhos cor de cereja? – elogiou o pai.
- Notaram que verruguinha mais simpática? – apontou o avô.
- E o hálito? Lembra os mais caros queijos franceses – comentou a avó.

A vida não era só um mar de rosas. Junto com a paparicação vinham regras rígidas.
- Você é muito pequeno para sair de casa. Brinque com o que tem por aqui.

O que tinha por ali não era muito. Uns 4 ou 5 cubos de montar, o pé esquerdo de um patins, um carrinho sem rodas e uma meia furada. No entanto era só olhar para fora que via uma enorme quantidade de brinquedos. Aquele mundo estranho parecia ser muito divertido e ele precisava conhecê-lo de qualquer jeito.
A hora chegou junto com o sol da manhã. Seus pais ainda dormiam quando Rodolfo se levantou. Decidido a burlar a regra paterna, deu um passo para fora de casa quando... um enorme pé esmagou-o no chão.
- Ô Manhê! Acho que pisei em um bicho! – reclamou a criança ao se levantar da cama.

Dorme, neném

- Conta uma história?
- Já passou da hora de dormir!
- Uma pequena, vai?
- Só se você prometer que vai ouvir de olhos fechados. Tudo bem?

O garoto concordou.

- A neblina embaçava o caminho do estaleiro quando o vampiro...
- Não quero história de terror! Assim não vou conseguir pegar no sono – reclamou.
- Aiaiai... Tá bom. Era uma vez um menino que não queria crescer... Aí a fada saiu da gaveta espalhando seu pó multicolorido... Foi quando os piratas sanguinários aprisionaram o moleque... O ensurdecedor tilintar das espadas ecoava pelo tombadilho... A bocarra crocodiliana sorveu o sangue bucaneiro...
- ROOOOONC! – a criança dormiu.
- Finalmente.

O monstro parou de contar a história, saiu debaixo da cama e devorou o menino inteiro, de uma bocada só.

Barata Cascuda

- Acorda, Alberto! – Janete sacudiu o marido com força para que ele despertasse.
- Hein, o que? Pô, Janete, sabe que horas são? Amanhã é quarta-feira! – Alberto se virou e pegou os óculos na mesinha de cabeceira para conferir o relógio.
- Tem uma barata cascuda embaixo da cama! – cochichou a mulher.
- Janete, são 3 horas da manhã. Tenho uma reunião logo cedo com o Dr. Silvério.
- Faça alguma coisa, Alberto. Não vou conseguir dormir com esse bicho aí – gemeu.
- Tá bom, Janete – o marido suspirou resignado e apanhou uma lanterninha na gaveta da mesinha. Virou-se de bruços e abaixou a cabeça para ver embaixo da cama. – Você verá que não há nada. É só eu...

Um alienígena com olhos amarelos, garras e corpo de inseto arrancou a cabeça de Alberto e comeu. Enquanto o corpo do homem estrebuchava sobre a cama, o visitante saiu de seu esconderijo e fitou a mulher. Depois rastejou em direção à janela e voou para fora. Janete ficou alguns minutos olhando para o tapete de sangue que se formava no chão. Depois deitou e puxou o lençol.

- Pode deixar, querido. A barata já saiu voando pela janela – disse antes de dormir.