Mostrando postagens com marcador espacolij. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador espacolij. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Espaço LIJ

Vocês devem ter notado um novo link aí em cima. É o Espaço LIJ. 

Espaço LIJ é o nome da minha coluna no jornal digital Sobrecapa Literal. Copiei aqui as entrevistas e artigos que produzi entre julho do ano passado e março deste ano, quando o Sobrecapa era distribuído em formato tabloide. Agora estão todas juntas em um só lugar. 

Criei também o logotipo da coluna, que pode ser visto como um menino rindo com um livro na mão, com nariz para cima e um dente saliente, ou como um monstro de um chifre lendo o livro. Enxergue como quiser. Na LIJ o importante é deixar a imaginação correr solta.

Bem, passei para cá a Ilustra, o Artigo do Mês e a Entrevista Foguete. Segue a relação dos convidados e dos artigos publicados:

sexta-feira, 1 de março de 2013

Espaço LIJ - Março de 2013

Que calor é esse? Dá uma vontade de deitar no ar-condicionado e ler a pilha de livros que eu tenho na mesinha de cabeceira. Por outro lado, preciso escrever e arrumar a casa.

Tem gente que diz que o ano começa em março, depois do Carnaval. Se pensarmos que antigamente o calendário romano era composto de 10 meses, sendo março o primeiro mês, até que estão certos. Mas daí veio o calendário gregoriano que acrescentou mais dois meses no final, transferindo-os depois para o começo do ano.

E nesses dois primeiros meses dá para fazer muita coisa. Quem cochilou pode ter perdido grandes oportunidades. Então larguemos a preguiça de lado e vamos à luta!

Os convidados do mês são Guto Lins e Thais Linhares. Uhuuu!


ILUSTRA com Thais Linhares

A Thais é uma autora super antenada com tudo o que acontece no mercado literário. Recentemente postou um vídeo no seu blog, intitulado “Quanto custa uma ilustração? - parte 1”
(http://thaislinhares.blogspot.com.br/2012/12/quanto-custa-uma-ilustracao-video.html), onde explica os direitos do ilustrador, entre outros assuntos. O vídeo já conta com mais de onze mil acessos!

As imagens abaixo são etapas do processo de criação de um projeto pessoal da autora com o nome provisório A Trilha Monstruosa.

  
Em LIJ, além das dezenas de livros como ilustradora, sendo o primeiro “O Tesouro das Virtudes para Crianças”, da Ana Maria Machado, pela editora Nova Fronteira, Thais tem cinco livros como escritora. Este ano foi selecionada para o Dicionário de Ilustradores Iberoamericanos da SM.

Thais, explique para a gente a técnica utilizada.
Rabisco tudo no lápis, só para ter ideia da composição. Na mesa de luz traço em nanquim (caneta descartável, 0.4, 0.3, 0.2). Daí vou detalhando os sombreados. Originalmente é para ser p&b, mas se eu achar necessário jogo a cor, no caso colorindo digitalmente, visto que o papel que usei não suportaria a tinta. Entretanto  e já fiz isto, posso aquarelar se sobrepor o original com um papel apropriado na mesa de luz. Eu pinto as cores no papel Canson usando o traço apenas como guia. Depois escaneio as aquarelas e sobreponho o arquivo das cores ao do traço usando o recurso de "camadas" no programa de edição de imagem. Fica super bacana, pois o traço fica só na camada do preto (na separação CMYK) e as cores (magenta, azul e amarelo) não interferem nas linhas, evitando aquele "borrão"quase imperceptível mas que tira a qualidade das cores na hora da impressão no papel.




LIVROS E AUTORES REJEITADOS

Li dois artigos muito interessantes nessa semana. O primeiro cita os motivos de grandes clássicos da literatura terem sido rejeitados por editoras. Entre eles, um que todos conhecem: “Harry Potter e a pedra filosofal”.

A hoje milionária J. K. Rowling já comeu o pão que o chifrudo amassou. Para terem uma ideia, a moça não tinha dinheiro nem para xerocar o primeiro livro da série e precisou bater cada cópia na máquina de escrever. Mermão! O livro tem 320 páginas! Já pensaram o que é isso? Taí uma autora que merece todo o sucesso que tem. E o tempo gasto em cada cópia foi literalmente jogado fora, pois o destino do calhamaço era inevitavelmente a lixeira. O motivo? Os editores o consideravam longo demais para uma história infantil. Há!

Bem, Rowling decidiu contratar um agente literário que, de cara, descartou a obra pelo mesmo problema. Mas quando a assistente deste estava levando o livro para o lixo, notou uma ilustração da autora e resolveu interceder por Hogwarts. O agente então enviou a obra para um editor amigo que resolveu mostrá-la para sua filha de 8 anos. A menina o devorou em poucas horas e voltou pedindo mais. Todos sabemos o que aconteceu depois.

“A revolução dos bichos”, de George Orwell, também levou cartão vermelho em várias editoras, mas o motivo era mais bizarro. Não havia um editor que tivesse coragem de publicar um livro que criticava a revolução russa numa época em que Stalin era aliado contra os nazistas. E olha que Orwell não era um desconhecido qualquer. O livro foi finalmente publicado em 1945, depois do final da Segunda Guerra Mundial, quando ninguém mais se preocupava com a opinião de Stalin, o porco Napoleão da fazenda dos bichos.

Outro livro rejeitado foi ” And to Think That I Saw It on Mulberry Street”, primeira obra de Dr. Seuss – o mesmo autor de “Norton e o mundo dos Quem”, “O gato da cartola”, “Como o Grinch roubou o Natal”, “Lorax” e mais um monte. Seu livro de estreia foi rejeitado nada menos do que 27 vezes antes de ser publicado! Faz qualquer um pensar em desistir e aprender a cozinhar ou a tocar piano, não é? O motivo? Os editores consideravam o texto muito bobo e diferente. Não entendiam que bichos eram aqueles ilustrados ali. Por que tanta rima? Hoje Dr. Seuss é uma referência na LIJ norte-americana e tem mais de 200 milhões de livros vendidos.

Eu também já tive livros rejeitados, quem não os tem? O “Condomínio dos Monstros”, publicado em 2010 pela RHJ, havia sido negado por pelo menos 6 editoras antes de virar livro. Hoje suas vendas já ultrapassaram as 200 mil cópias.

O segundo artigo lido traz uma lista criada pelo editor argentino Mario Muchnik com 10 atitudes de escritores que um editor não suporta. São elas:

01)    Escritor que não admite que um editor mexa em uma vírgula do texto.
02)    Escritor que impõe sua ideia de capa.
03)    Escritor estrangeiro que encrenca com a tradução, mesmo sem saber uma palavra do idioma para o qual o livro foi traduzido.
04)    Escritor que entrega o texto precisando de urgentes revisões e, quando o editor as faz, leva o livro para outro editor.
05)    Escritor que entrega vários livros por ano, e que exige que o editor os publique rapidamente.
06)    Escritor que entrega o texto e depois desaparece, deixando que o editor se vire com as possíveis dúvidas que surgirem com a leitura.
07)    Escritor que liga uma ou mais vezes por dia para saber como anda a publicação.
08)    Escritor que indica textos de amigos, muitas vezes de qualidade duvidosa.
09)    Escritor que vive alterando a versão final do texto, assim atrasando toda a produção.
10)    Escritor que considera os editores mercenários e não artesãos, e que acredita que os editores vivem às custas dos autores.

Fonte: 



  
ENTREVISTA FOGUETE com Guto Lins

► Quantos livros publicados?
Tenho 39 títulos (2 teóricos), alguns reeditados. No total 48 edições. Todos como autor de texto e imagem. Perdi a conta daqueles que sou somente autor das imagens.

► Três livros seus para quem não te conhece?
Vou transgredir e selecionar 4 títulos:
Palavras (Mercuryo Jovem)
Mãe (Globo)
Manual de boas maneiras (Globo)
Túnel do tempo (Dimensão)

► Devido à sua formação, o design é uma característica marcante de sua obra.
Em algum momento, no começo da carreira, você se sentiu inibido ou achou que seu texto ficou aquém do que você tinha a oferecer como ilustrador? Você sempre teve vontade de escrever ou essa vontade surgiu depois que começou a ilustrar outros livros?
No meu 3o ano da ESDI, optei por fazer um livro infantil como projeto. "Ganhei" um texto de Silvia Orthof e trabalhei nele durante o semestre. Ela curtiu, me indicou e no ano seguinte nascia DUMONZITO (Ao Livro Técnico). De la pra cá (1984) segui traduzindo textos diversos até gostar de um meu. QUAL É A COR (saiu pela Ao Livro Técnico em 90 e dois anos atras pela Mercuryo). De qq forma, sendo texto meu ou não, cada texto é um marco zero e pede uma linguagem especifica.

► "Todo dia é dia de design" é um texto seu que mostra que o design está em tudo o que nos cerca. Também de sua autoria, o "Livro Infantil? Projeto gráfico, metodologia e subjetividade" aborda aspectos da produção de livros infantis sob a ótica do design gráfico. Como autor e designer, qual sua opinião sobre o objeto livro e seus formatos seculares achatados, de clássicas quatro pontas? A evolução do papel para o digital é bem-vinda? A possibilidade de trabalhar em 3D, ou acrescentar som e movimento à imagem é mais esperada pelo escritor ou pelo designer Guto Lins? 
Além de minha pratica no mercado, sou professor universitário e participo direta ou indiretamente de projetos e pesquisas diversos. Para mim o grande barato é a história, a narrativa, e ela também pode ser contada em formatos e para públicos diversos. O bom contador da piada descobre o ritmo e o vocabulário mais adequados para que o público (seja qual for) ao final ria da piada. O cinema não matou o teatro, a TV não matou o cinema. Hoje, em uma faculdade de música vc encontrará alunos tocando pro-tools lado a lado com outros tocando oboé. Tudo ao mesmo tempo.

► Em uma excelente entrevista sua para Marcus Tavares, publicada no Rio Mídia (http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/portal/riomidia/rm_entrevista_conteudo.asp?idioma=1&idMenu=4&label=&v_nome_area=Entrevistas&v_id_conteudo=64560), você afirma que a literatura infantil está se didatizando porque a escola passou a ser o grande comprador. Na Inglaterra, o McDonald's vai substituir os brinquedos do Mc Lanche Feliz por livros, e, com isso, a rede de fast food vai se tornar o maior distribuidor de livros infantis do Reino Unido, distribuindo cerca de 15 milhões de unidades nos próximos dois anos. Você acredita que com a ajuda da iniciativa privada, podemos "desdidatizar" a literatura infantil? Que outras alternativas temos?
A compra 'chapa branca' virou a alternativa econômica no nosso país continental. Sem filtro.
Uma tiragem de 3.000 exemplares pode durar anos para escoar e vários dos profissionais envolvidos ganham percentuais. Na 1a edição autor ganha 10%, o editor também por aí. Gasta-se uns 30% com produção e 50% fica com o dono da Kombi. O distribuidor que estoca e gerencia.
Os planos de governo comprar em larga escala (10.000, 30.000) numa tacada só. Eles gerenciam o estoque. Obviamente os preços são diferenciados (toda a matemática muda) mas a compra é contra entrega. Pa-pum.
A participação da sociedade é fundamental, seja através de campanhas publicitárias ou humanitárias. O problema sempre é a seleção. Como fazê-la isenta, criteriosa, apolítica, mirando na diversidade e na qualidade?
A questão é que industrialmente falando, o livro, como qualquer produto industrializado  tende a diminuir o valor unitário, quando produzido em larga escala e tendo um retorno mais planificável.


***
Este Espaço LIJ foi publicado em seção própria no jornal digital Sobrecapa Literal nº 25. Acesse www.sobrecapaliteral.com.br para fazer o download da publicação inteira em formato tabloide.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Espaço LIJ - Fevereiro de 2013

Janeiro é um mês corrido, não é? Quem trabalha com literatura infantil e juvenil sabe o que é ter a corda no pescoço. Escritores revisando copidesques, ilustradores correndo com o trabalho, contratos sendo enviados pelo correio, editores indo a loucura com os prazos apertados... Isso é coisa do tal PNBE que não espera os retardatários. 

E ainda tem as crianças em casa, de férias, entendiados por causa das chuvas de janeiro que entram pela janela molhando tudo. E a gripe? Alguém aí pegou? Aqui em casa tombamos os quatro.

Mas fevereiro vem logo aí, com novos originais ávidos por leitura e sonhos de mudanças para novas casas.

Os convidados do mês são duas moças esbanjadoras de talento. Na Ilustra, minha long lost sister Janaina Tokitaka e na Entrevista Foguete a genial mãe de jabutizinhos, Stella Maris Rezende! Viva elas!


ILUSTRA com Janaina Tokitaka

Janaina e eu temos muito em comum. Descobrimos que gostamos dos mesmos temas literários. Ambos adoramos monstros, dragões, robôs e outros bichos. Já até combinamos de criar algo juntos. Nos aguardem!

As imagens abaixo são etapas do processo de criação do inédito livro-imagem Nanquim.


A paulistana Janaina Tokitaka estreou com o livro “Como casar com André Martins”, da Indigo, pela Girafinha em 2005. Entre publicados e contratados, essa menina tem mais de 30 livros editados, sendo 8 como escritora e ilustradora.

Na imagem acima, Janaina fez o traço a lápis, com a mão muito leve para não marcar demais o papel, que é de fibra de algodão. Depois, finalizou os personagens com bico de pena e ecoline cinza. Por último, preencheu a imagem com aquarela e guache. Esta imagem tem uma particularidade: o dragão foi feito com a técnica oriental sumiê. O desenho foi feito direto no papel, sem rascunho e utilizando um pincel próprio para isso. (O mesmo usado para caligrafia.)




IDEIAS NO PAPEL

Sabe essas noites que você sai caminhando sozinho, de madrugada, com a mão no bolso. Na rua! E você fica pensando naquela história. Você fica torcendo e querendo que ela estivesse... finalizada! Aí finalmente você encontra o gancho. Tandam! Que felicidade, que felicidade, que felicidade...

É mais ou menos assim que acontece com muitos autores. A ideia vem. Fica lá teimosa na cabeça, sem querer ir embora. Começamos a nos entusiasmar com tudo, mas falta o gancho, aquilo que faz a história valer a pena ser escrita. O diferencial.

Uma vez comentei que ter uma história na cabeça e não colocar no papel é como ter um brinquedo que não podemos tirar da embalagem. Ficamos namorando aquilo, mas sem realmente poder brincar com ele.

Quando comecei a escrever literatura infantil e juvenil, eu queria criar textos para cada ideia que surgia. Claro, a história nunca chegava pronta. As vezes era uma situação. Uma frase que ouvi na rua. Em outras eram palavras somente. Resolvi anotar cada uma. Quem sabe a inspiração não vinha depois? A lista foi ficando longa. “Bulhufas”, “Meu bicho carpinteiro de estimação”, “7 dias com os aborígenes”...

Embora eu tenha desenvolvido ideias anotadas, entre elas algumas que já viraram bons livros, chega uma hora em que você percebe que nem tudo o que antes parecia ser bacana, serve. Bulhufas? O que fazer com isso? Pode virar nome de personagem e só.

Com a experiência, passamos a nos tornar mais críticos e a selecionar melhor o que escrevemos. Nosso tempo livre já não é tão elástico assim. Cada história é pesquisada, escrita, reescrita e revisada. Mostramos para colegas. Ouvimos e absorvemos as críticas. Reescrevemos novamente. Assumimos outros compromissos literários: Palestras, visitas, leituras, encontros com leitores, reuniões com editores...

Hoje em dia, só sento para escrever um livro se for algo especial. Um texto diferente. Com um bom gancho e um final que surpreenda. Claro, continuo com meus escritos sem compromisso. Mas quando é para publicação, aí é outra história.

Afinal, alguns brinquedos são mais legais na embalagem. Depois que os tiramos de lá, vemos que não mexem os braços, que a pintura tem falhas e que o elástico é quebradiço.


ENTREVISTA FOGUETE com Stella Maris Rezende

► Quantos livros publicados?
40 livros publicados em 33 anos de carreira.

► Três livros seus para quem não te conhece?
Maravilhosa e inesquecível ideia de amar (Dimensão)
A mocinha do Mercado Central (Globo Livros)
A guardiã dos segredos de família (SM)

► Dizem que "A mocinha do mercado central" é o primeiro livro juvenil a ganhar o Jabuti. Dolores Prades escreveu uma matéria intitulada "Livros tem idade?" onde diz que "A adoção de faixas etárias para indicar os leitores de um determinado livro, além de promover uma nivelação arbitrária, reduz e limita a vida e a abrangência dos livros." Ela afirma ainda que os bons livros encontrarão leitores sensíveis em qualquer idade. Você concorda? E já que estamos no tema, por que "A mocinha do Mercado Central" é considerado literatura juvenil?
Concordo com Dolores Prades, autoridade no assunto. No entanto, “A mocinha do Mercado Central” pode ser considerado um romance juvenil, devido ao tema e ao tom da narrativa, que “conversam” com o olhar juvenil. A alma juvenil permanece em nós, adultos, daí o livro carregar em sua construção-desconstrução vários aspectos que podem encantar outros leitores mais experientes na vida e no trato com a palavra. É importante frisar que ao me dedicar a um texto, preocupo-me em fazer literatura, sem me deter no público-alvo.

► Ao longo de sua carreira, você recebeu vários prêmios e nos últimos anos vieram vitórias importantes, como no Barco a Vapor e nos Jabutis. Com tantos troféus na estante, e já tendo conquistado quase tudo o que podia por aqui, pretende ainda concorrer em concursos literários no Brasil ou buscará desafios internacionais, como o Prêmio Compostela da Kalandraka? 
É claro que almejo outros prêmios, mas o fundamental é dar continuidade ao projeto estético, sempre tentando fazer arte, trabalhar a linguagem, surpreender e encantar o leitor. Costumo dizer que a literatura é a arte que fala por silêncios e cala entre palavras.

► Você começou como atriz e, de acordo com seu site, seu primeiro livro foi uma peça teatral. Tem outras peças escritas além de "Corpo Tenso Voz Passiva"? Pretende escrever mais para o teatro?
A atriz permanece, principalmente quando converso com crianças e jovens nas escolas e feiras de livros. Faço questão de ler trechos dos meus livros em voz alta, por meio de uma leitura dramática, e isso tem colaborado na divulgação da minha prosa poética, que tem toda a atmosfera da sonoridade do linguajar mineiro. Não pretendo continuar escrevendo para o teatro, mas os críticos costumam dizer que meus livros são teatrais e cinematográficos, o que de certa forma preenche uma lacuna do trabalho de dramaturga e atriz. Posso também voltar a escrever para o teatro, quem sabe? No ano passado escrevi um roteiro para cinema, “Sem medo de amar”, baseado no meu livro de contos “Sem medo de amar” publicado pela editora Moderna. É bem provável que vire filme de fato. Sou apaixonada por cinema também, tal qual a protagonista de “A mocinha do Mercado Central”...

Site da autora: http://www.stellamarisrezende.com.br

***
Este Espaço LIJ foi publicado em seção própria no jornal digital Sobrecapa Literal nº 24. Acesse www.sobrecapaliteral.com.br para fazer o download da publicação inteira em formato tabloide.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Espaço LIJ - Janeiro de 2013

Saudade do ano que se vai. Dos amigos que fiz em eventos literários. Das feiras que participei. Dos livros que li. Alguém aí sente saudade dos livros que leu? Eu sinto. Releio mais do que a média. A mesma coisa com filmes e música. Sentimental eu sou...

Já sentiram saudade do futuro? Aquela que dá quando namoramos o livro que ainda não saiu? A expectativa da sequência do filme? As viagens prometidas e os encontros já marcados? A vontade que o tempo passe rapidinho para que possamos matar essa “saudade” de coisas que ainda não aconteceram?

Podem pensar o que quiserem, mas sinto saudade do futuro também. Por isso, fico dividido na virada do ano novo.  

Bem, enquanto divago por aqui, deixarei vocês com os convidados do mês. Dois feras da LIJ brasileira e pessoas que eu admiro demais (redundante, eu sei). 

Na Ilustra, meu querido amigo aeilijiano: o escritor e ilustrador Mauricio Veneza!
Na Entrevista Foguete, o pai maluquinho de um menino que usa a panela na cabeça: Ziraldo!

Puxa vida! Isso é é começar o ano com o pé direito.


ILUSTRA com Mauricio Veneza

Poucos sabem mas o Mauricio foi a primeira pessoa que me recebeu na AEILIJ. Isso foi em 2009, durante a minha primeira participação no Salão FNLIJ, no Rio de Janeiro. Na época eu lançava o meu segundo livro e ainda não conhecia a Associação. Mauricio me recebeu de braços abertos. Falou sobre o trabalho que faziam e conversamos um tempão sobre a obra do Helio do Soveral. Foi naquele dia que resolvi me associar. Nada como bons papos e novos amigos, não é?  

As três imagens que seguem mostram etapas do processo da criação do livro Nina África – Contos de uma África menina para ninar gente de todas as idades, com textos de Lenice Gomes, Arlene Holanda e Clayson Gomes, pela Editora Elementar.

  
O niteroiense Mauricio Veneza teve suas primeiras ilustrações para LIJ publicadas na década de 80. Poucos anos depois, em 87, estreou como escritor. De lá para cá são centenas de histórias com seus traços e letras espalhados por livros em bibliotecas de todo o Brasil.

Para a imagem acima, Maurício começou com um esboço a lápis no verso de um papel já impresso. Em seguida finalizou a traço (pincel e nanquim) e digitalizou a imagem. Na segunda figura é visto o primeiro tratamento de cor digital. O traço preto foi convertido num contorno de cor creme, bem próximo do branco. A terceira figura traz a imagem finalizada no computador, já com sombreamento e brilhos, tal como aparece no livro.




ENCONTRO DE AUTORES

Pensei em escrever sobre o encontro de autores de LIJ para o artigo do mês e cheguei a conclusão que muitas vezes uma imagem vale mais do que mil palavras. Essa foto, com a Lagoa ao fundo, mostra bem como foi gostosa a nossa reunião. Amigos, livros, abraços...

Nosso evento de final de ano ocorreu em 20/12 e já tem novo encontro sendo programado para 2013. Fiquem de olho!


ENTREVISTA FOGUETE com Ziraldo

► Quantos livros publicados? Destes, quantos como escritor?
Escrevi mais de 180 livros. Que eu me lembre.

► Três livros seus para quem não te conhece?
O menino quadradinho
Os meninos morenos
O menino e seu amigo

► Menina Nina traz um texto emocionante em cuja mensagem você homenageia a “Vó Vivi”. Quem mais é homenageado em sua obra?
Em alguns de meus livros, vocês podem encontrar algumas homenagens, saudades e lembranças. Por exemplo: O Menino e seu Amigo é a história de minha convivência com meu avô; Os Meninos Morenos fala da minha infância e das pessoas que conheci e convivi nessa época; O Grande Livro das Tias, é uma homenagem as tias da minha vida; Uma Professora Muito Maluquinha é um retrato da minha primeira professora; e por aí vai...

► Quando conversamos, depois da entrevista no ABZ, você me contou histórias divertidas sobre sua mãe. Ela era uma “Supermãe”? E aproveitando a brincadeira, você tem algo de “Jeremias, o Bom”? 
Minha mãe era uma mulher que não gostava de comprar feito. Tinha uma grande necessidade de inventar coisas, de viver a vida a partir do jeito dela. Costurava como poucas e inventou seu próprio método de costura; inventou um jeito de fazer feijão em pó para dar vidros e vidros de presente para as amigas, cheios de um saboroso pozinho marrom; inventou um alfabeto para escrever bilhetes secretos para as filhas. Minha mãe inventava charadas e adivinhas pra brincar com os filhos, como se também fosse criança e me ensinou as letras do alfabeto transformando cada uma delas em um ser vivo: o A era um sujeito de pernas abertas, o B era um camarada bundudo, o C era um comilão com a bocona aberta e por aí vai.
Com relação a segunda pergunta: todo mundo tem um pouco de Jeremias dentro de si.

► 80 anos bem vividos, com uma obra fantástica e um dos orgulhos da literatura brasileira. Quais são seus próximos projetos?
Continuar a série de livros dos meninos dos planetas, ver o Menino Maluquinho 3 nos cinemas, escrever um romance, etc. etc. etc.
Trabalhar... trabalhar... trabalhar...

Site do escritor: http://www.ziraldo.com.br

***
Este Espaço LIJ foi publicado em seção própria no jornal digital Sobrecapa Literal nº 23. Acesse www.sobrecapaliteral.com.br para fazer o download da publicação inteira em formato tabloide.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Espaço LIJ - Dezembro de 2012

Bem, depois de viajar para Curitiba e Olinda, de lançar um livro e de participar de um bate-papo em uma escola no Rio de Janeiro, eis que pinta uma entrevista em São Paulo na última semana de novembro. Cadê tempo para terminar a coluna?

O tempo pode ser curto, mas graças à LIJ, os amigos são muitos. Embora dezembro seja um mês fraco para eventos, trago aqui convidados de primeira linha. Craques das teclas e dos pincéis que encantam a todos nós com sua criatividade. Meu presente de Natal para vocês:

Na Ilustra, diretamente de Barcelona para as páginas do Sobrecapa: Taline Schubach!

Na Entrevista Foguete, minha amiga e super escritora: Sandra Pina!

No Artigo do Mês, um texto de uma convidada muito querida, a artista Cristina Villaça!

Palmas que elas merecem!


ILUSTRA com Taline Schubach

A Taline é uma figuraça. Quem acompanha suas publicações se diverte com seu rico senso de humor e é arrebatado pelo seu talento com cores e formas. Seus personagens estão entre os mais expressivos que já vi. Sou fã mesmo.

As imagens abaixo são etapas do processo da criação do livro Foi o coelho! (nome provisório), que será lançado pela Callis em 2013. É o primeiro livro com texto dessa artística super simpática, que há cinco anos trabalha com ilustração editorial.

  
Taline Schibach é carioca e vive em Barcelona. Segundo ela, para o livro acima mencionado, “a técnica utilizada foi a aquarela (Schmincke), com contornos feitos a bico de pena em tinta chinesa siena. Há um pouquinho de grafite também. A primeira foto é na mesa de luz, onde passo o rascunho para o papel final, de aquarela - nesse caso um Fabrianno 100% algodão. Ao lado, uma foto do processo e outra da ilustração mais próxima do trabalho final.”




UM QUIPROQUÓ EM OLINDA
Cristina Villaça

Acabo de chegar de Olinda, onde participei da VIIIª FLIPORTO, a grandiosa Festa Literária Internacional de Pernambuco. Com a presença de 90.000 pessoas, segundo estimativa dos organizadores do evento, a festa é, na realidade, a culminância de um projeto cultural muito mais amplo, pois tem o compromisso de atuar na formação de leitores, na valorização do livro e da cultura literária.

A edição de 2012 da FLIPORTO trouxe como tema o teatro: A vida é um espetáculo, e o grande homenageado foi o escritor pernambucano Nelson Rodrigues. Fui chamada a apresentar meu trabalho de escritora de livros para crianças, assim também como vários outros colegas, e a atuar na FLIPORTO CRIANÇA ministrando minha oficina de teatro para iniciantes, a OFICINA QUIPROQUÓ.

Ainda estou desfazendo as malas, tanta bagagem eu trouxe...

Creio que meu livro Quiproquó: jogos de teatro na Educação Infantil (Editora Ao Livro Técnico), que lancei durante o evento, caiu como uma luva no tema da festa. Tanto que pude comprovar tudo o que digo no livro com a oficina que dirigi durante o evento. Compareceram cerca de vinte crianças de cinco a dez anos acompanhadas de seus familiares em uma manhã de domingo ensolarado e muito quente. Quase todos os adultos que foram deixar suas crianças na tenda destinada às oficinas, na Praça do Carmo, decidiram ficar e assistir minha aula. Foi mesmo muito divertido!

O fascínio que o teatro desperta em alunos de quaisquer idades justifica-se pelo evidente teor lúdico da atividade, mas não posso deixar de me referir ao desejo de algumas crianças, desejo muitas vezes estimulado por seus pais, de se tornarem atores e atrizes de televisão. Esse comportamento é um reflexo do exagerado culto às celebridades que presenciamos em nossos dias. Mas para mim, educadora desde o comecinho dos anos oitenta, o teatro e as aulas de teatro atuam com eficácia e rapidez na formação de leitores.

Ora, teatro é também literatura: conta-se uma história, mais ainda, vive-se uma história, mesmo que temporariamente. Não conheço melhor disparador de leitura que uma boa história. Minha oficina QUIPROQUÓ é tão somente isso: um processo que encontrei ao longo de minha carreira para estimular a leitura e o fazer artístico em geral. Foi a fórmula que encontrei para fazer a minha parte na árdua tarefa de educador que é operar positivamente na formação de indivíduos criativos e investigativos, atuantes na sociedade de maneira competente e digna.


Quem chega desavisado à minha aula pode ter a impressão de que tudo não passa de uma bagunça, um alvoroço, uma verdadeira babel onde as crianças falam alto, se movimentam e até se arrastam pelo chão. Mas quem está envolvido no processo sabe perfeitamente que tudo faz sentido. O que faço é dividir a turma em grupos e propor um desafio a cada um deles, ou seja, proponho um jogo teatral. O desafio nada mais é do que uma história sem final. O improviso e a interação entre os alunos irá solucionar, ao longo de alguns minutos, a proposta inicial.

As aulas de teatro são o lugar da fantasia e da imaginação. Assim, uma tenda quase vazia, com poucas cadeiras e uma mesa, vira palco de devaneios coletivos: um castelo, uma floresta, um navio de piratas. Enfim, as aulas de teatro são um ambiente mágico e acolhedor onde a única regra é o respeito às diferenças, um lugar onde a criação flui sem censuras. Para mim, a educação pela arte tem importância essencial no universo da criança uma vez que pode constituir um meio de experimentação e expressão criativa.
Em teatro, na comédia, o quiproquó acontece quando uma confusão é formada a partir de uma série de equívocos, daí explodem o riso e a gargalhada. A alegria que o público experimenta ao assistir um espetáculo cômico representa mais que diversão, mas, sim, interação, comunhão. Minha oficina pretende ser, então, uma confusão criativa, uma alegria coletiva, uma comunhão entre prazer e educação.

Sabemos que educação não se faz apenas em casa, ou na escola, mas nas ruas, nas cidades, no dia a dia, na comunhão entre as pessoas. Sabemos que a responsabilidade de educar e formar leitores não é privilégio de pais e educadores, mas de escritores, produtores de cultura, e, mais ainda, do poder público. Na FLIPORTO vi, de fato, acontecerem educação e cultura.

Ensinei e aprendi. Ri e me emocionei. Cresci. Na bagagem que trouxe de Olinda, veio a certeza de que educação de qualidade também se faz na praça.

Cristina Villaça atua como educadora e contadora de histórias há mais de vinte anos. É professora de literatura e teatro. É escritora de livros infantis e livros para educadores. Tem mestrado em Literatura Brasileira e especialização em Literatura Infanto-juvenil.


ENTREVISTA FOGUETE com Sandra Pina

► Quantos livros publicados?
Em torno de 26 ou 27.

► Três livros seus para quem não te conhece?
O pano de boca - Cortês
As muitas versões de um mesmo beijo - Larousse
Que dia é hoje / Um, dois, feijão com arroz - Zit

► Qual a maior diferença entre escrever para crianças, escrever para adolescentes e escrever para adultos?
Eu acho que a grande diferença está na linguagem que você utiliza: o tipo de discurso que você vai usar, a forma como os temas são abordados. Por exemplo, em um livro para adolescentes ou adultos, eu posso usar recursos como um flashback. Já no livro infantil, esse tipo de artifício não é recomendado.

► Alguns anos atrás, havia várias coleções juvenis cuja sinopse invariavelmente girava em torno de pequenas turmas de jovens investigadores. Cito como exemplo a Turma do Gordo, de João Carlos Marinho, a Turma do Posto Quatro, de Hélio do Soveral, O Clube do Falcão Dourado, de Gladys, Or Irmãos Encrenca, de Stella Carr, entre outros. Os textos policiais para jovens se esgotaram? Além da coleção ecológica “Os Recicláveis”, de Toni Brandão, e do estilo “Fala sério”, de Thalita Rebouças, o que mais há? 
Eu acho que os textos policiais não se esgotaram. Continuam bem vivos e é um gênero que o adolescente gosta muito. Claro que, hoje em dia, temos que utilizar outras ferramentas, até porque a tecnologia nos permite isso. Precisamos pensar no universo do leitor: o que ele conhece. Tem coisas legais sendo criadas e tem coisas muito ruins também. Eu acho que existe uma diferença de foco de mercado. As editores não investem pesado em mídia nem em marketing de ponto de venda. Hoje, o grande comprador das editoras é o Governo. O Governo não se compromete com a compra do volume 1, 2 e 3. Por isso o investimento nesse tipo de coleção é menor. Pode-se comprar livros com os mesmos personagens, mas não necessariamente é a mesma coleção.

► Defina o que a AEILIJ representa para você.
O autor trabalha sozinho. A AEILIJ é um ponto de encontro que pode resultar em grandes benefícios para os associados. O contato mais próximo entre os autores resulta em troca de ideias e nessa troca, você descobre questões em comum.

Site do escritor: http://www.sandrapina.com.br

***
Este Espaço LIJ foi publicado em seção própria no jornal digital Sobrecapa Literal nº 22. Acesse www.sobrecapaliteral.com.br para fazer o download da publicação inteira em formato tabloide.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Espaço LIJ - Novembro de 2012

Novembro tem FLIPORTO, FLIJO, Feira do Livro de Porto Alegre e outros tantos eventos literários espalhados pelo Brasil inteiro. Não acredita? Então procure pelo Circuito Nacional de Feiras de Livro, calendário organizado anualmente pelo MINC. Eu já estou aqui fazendo as malas. Esse mês viajo para Curitiba, para a Feira do Livro de São José dos Pinhais. Depois volto, lanço um livro na Livraria da Travessa e embarco rumo à Olinda, para conversar com a criançada de Pernambuco.

Tanto trabalho vale a pena. O convívio com os leitores e com colegas e profissionais ligados à literatura infantil e juvenil é dos mais prazerosos que existem. Nada melhor do que trocar uma ideia inteligente, não é?

Por essas e outras, comento, no artigo do mês, um texto que li no Tumblr do Neil Gaiman, sobre o que motiva o autor a frequentar esses tipos de eventos.  

Tá bom ou quer mais?
OK! Você venceu! Os convidados da coluna são os queridos André Neves e Nireuda Longobardi.


ILUSTRA com Nireuda Longobardi

Falei com a Nireuda pela primeira vez quando fizemos o Trem de Histórias, uma antologia de autores da AEILIJ. A Nireuda fez a xilo da capa do livro. Na época, ela gentilmente me enviou de presente um livrinho em cordel com um trabalho seu. Fiquei vidrado na sua arte e hoje tenho o maior orgulho de apresentá-los a essa artista bacanérrima.

As imagens abaixo são etapas do processo da criação de uma xilogravura para o livro A peleja do Boto cor-de-rosa com a Sereia Iara, escrito por Alexandre Morais e editado pela Suinara.

  

Nireuda é potiguar e mora em São Paulo. Estudou Educação Artística e Artes Plásticas, na Faculdade de Belas Artes de São Paulo. É professora, escritora e ilustradora de livros infantis e cordéis. Para ilustrar livros utiliza a xilogravura, o kiriê e outras técnicas de ilustração. Realiza também oficinas para diversas instituições como: Casa das Rosas, PraLer, SESI Projeto Literatura Viva, SESCs, bibliotecas, livrarias e escolas. Hoje seu trabalho é voltado para a pesquisa de histórias tradicionais.

Alguns de seus livros:
Mitos e lendas do Brasil em cordel (Editora Paulus), selecionado para os programas Minha Biblioteca 2011 e PNBE 2012 e escolhido pela FNLIJ. O livro representou o Brasil na Feira de Bologna 2010 e foi indicado como um dos “100 livros imperdíveis” da Revista Nova Escola (Abril) 2012.
Escolha seu dragão (Cortez), em parceria com a escritora Rosana Rios, está no catálogo da FNLIJ e representou o Brasil na Feira de Bologna 2012.
O rouxinol e o imperador em cordel (Mundo Mirim) foi selecionado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo para o projeto Livros na Sala de Aula 2013, voltado aos anos iniciais do Ensino Fundamental das escolas públicas de São Paulo.




POR QUE FREQUENTAR EVENTOS LITERÁRIOS?

Neil Gaiman é inglês, autor de romances e HQs lidos em todo o mundo. Entre seus trabalhos está Sandman, uma série de quadrinhos, publicada entre 88-96, que coleciona fãs até hoje.

Bem, Neil tem um Tumblr (um blog de textos curtos, mas não tão curtos quanto o Twitter) muito bacana, de onde tirei um texto que me chamou a atenção. Nele, um possível futuro escritor pergunta se é necessário frequentar feiras de livros e workshops literários para ser publicado. Ele reclama dos preços de tais eventos e quer saber se o livro pode ser publicado por seus próprios méritos. Gostei muito da resposta do autor de Sandman. Traduzi e reproduzo abaixo.

"Caro Neil, Parece que toda vez que leio sobre como um de meus autores favoritos foram publicados, descubro que eles sempre encontram seu futuro agente ou editor em uma feira de livros ou workshop literário. Eu não tenho nada contra esses eventos em geral, exceto o custo, muitas vezes alto. Será ainda possível ser publicado baseado unicamente no mérito de seu trabalho, ou, se for o caso, você poderia me aconselhar sobre o assunto? Obrigado."

Resposta do Neil:
"Eu acho que você está deixando escapar um detalhe.
Se você quer conhecer pessoas, você vai para onde elas estão. (Nesse caso, as feiras ou convenções literárias.)
Se você quiser ser um escritor melhor, você fará workshops literários.
E quanto ao custo dos eventos... Eu comecei a frequentá-los quando tinha 22 anos, não tinha um tostão, e continuei a ir mesmo sendo um jovem jornalista freelancer 'duro', e prossegui como um jovem jornalista freelancer 'duro' na companhia de outros jovens jornalistas freelancer 'duros', outros aventureiros e principiantes sem sucesso. Compartilhávamos quartos de hotéis para poupar dinheiro (algumas vezes em grupos que seriam expulsos do hotel se soubessem quantos éramos), viajávamos da maneira mais barata possível e poupávamos o que tínhamos para locomoção e comida (e comprar bebidas no bar) enquanto estávamos lá.
E não fazíamos isso para encontrar pessoas e sermos publicados. Fazíamos isso para conhecer pessoas como nós. Porque queríamos atender aos fóruns de discussões e aprender. Porque éramos fãs das pessoas que estavam nos eventos e queríamos ouvi-las.
Eu não consigo contar o número de amizades que se iniciaram naqueles dias - muitas das pessoas com quem acabei sentando ao lado, ou conversando nos bares, naquela época, naqueles eventos, são meus amigos até hoje. Alguns são escritores e editores e agentes e artistas. Alguns são dentistas e advogados e funcionários municipais.
E algumas dessas amizades acabaram me rendendo trabalhos, o que acontece com frequência.
Você pode ser publicado unicamente pelo mérito do seu trabalho? Bem, é óbvio. (Só o fato de você falar sobre 'seus autores favoritos' ao invés de 'autores cujo trabalho você odeia' já é significante). Se você for um editor ou um agente, e tiver dois manuscritos em mãos, um sendo uma porcaria rascunhada por alguém que você conheceu em um bar de um evento literário e outro sendo um trabalho incrível de alguém que você nunca encontrou, certamente todo editor ou agente vivo optará pelo trabalho incrível.
Por outro lado, se você é um editor buscando um escritor para um livro sobre Douglas Adams, porque a pessoa com quem você iria trabalhar desistiu do projeto, e você se lembrou de um cara, com quem você conversou em um bar na noite de um evento, que tinha entrevistado o Douglas Adams, e aquele cara parecia uma pessoa legal e lúcida, e que não seria um saco trabalhar com ele, você procurará aquele cara... bem, isso é algo que não teria acontecido se não houvesse aquele encontro.
Workshops literários? Eu fui para Milford, na Grã-Bretanha, em 1986 e 1987. E uma conversa tarde da noite em um bar, depois que todo o trabalho terminara, me rendeu uma série de antologias compartilhadas... mas isso aconteceu porque pessoas se juntaram e conversaram e se mexeram para fazer as coisas acontecerem. Ninguém estava lá para fazer contatos. Levando em conta que as lições que aprendi em Milford me transformaram de Quase Publicável para Escritor Razoavelmente Bom, eu não acho que de forma alguma foi caro. (Custa 560 libras agora, por uma semana de horários preenchidos, e é o equivalente ao que paguei em 1986.) 
Minha sugestão para ser publicado 'unicamente pelo mérito do seu trabalho', é, peculiarmente ou não, a mesma que todas as sugestões que já dei em "como ser publicado'. Faça uma busca nos arquivos de http://journal.neilgaiman.com/ e divirta-se."

Fonte:



ENTREVISTA FOGUETE com André Neves

► Quantos livros publicados? Destes, quantos como escritor?
Contar para mim é tão difícil. Perdoem-me, mais ou menos uns 100. Agora escrito e ilustrados, como são poucos, eu sei. 19.

► Três livros seus para quem não te conhece?
Casulos - Global / imagem
A Caligrafia de Dona Sofia - Paulinas / texto e imagem
Tom -  Projeto / texto e imagem (lançamento)

► Uma vez você disse que pretendia escrever mais e ilustrar menos. Por quê?
O mundo é complexo e as imagens mudam e transformam a vida contemporânea  Meus pensamentos mudam e estou amadurecendo, a cada dia, o ato da escrita e da criação. O livro está mudando. O papel, a gráfica, o design, digital. Tanta coisa muda, no futuro ainda mais. Não sei se conseguirei acompanhar o ritmo que o olhar visual dessa garotada vai ter no futuro. Muito talentos surgirão, é natural. Talvez nesse momento eu tenha parcerias legais, escrevendo com grandes e jovens ilustradores.

► Obax, Lino, Margarida, Tom e outros livros seus brincam com a fantasia. Qual a importância da fantasia na sua obra?
Total. Meu criar se alimenta do impossível para ser possível nos livros brincar.

► Em sua última apresentação, você se definiu como um “escritor de imagens”. O que quis dizer?
Que penso por imagens. E se escrevo, são elas, "as imagens", que me fazem pular a distância de um parágrafo a outro. Sem asas.



***
Este Espaço LIJ foi publicado em seção própria no jornal digital Sobrecapa Literal nº 21. Acesse www.sobrecapaliteral.com.br para fazer o download da publicação inteira em formato tabloide.