Tempos difíceis para a literatura

A Cosac Naify fechou. Outras editoras como a Escrita Fina, que investiram em um catálogo forte, com bons autores, estão definhando. Editores competentes de várias editoras na rua. As maiores casas editoriais também sentem o momento ruim. Algumas reduziram a produção para 1/3 (ou menos) do que era produzido em anos anteriores. Muitas estão tendo dificuldades em pagar os minguados aos seus autores. A Ibep acaba de demitir mais de 30 funcionários por causa do atraso no recebimento das vendas do PNLD. A Ática teve a equipe do editorial dispensada. Seu catálogo está nas mãos da Somos que tende a priorizar os textos paradidáticos. Tendência que aparenta ser geral.

O programa Literatura Viva do SESI-SP, um dos mais bem estruturados do país, corre o risco de não acontecer no ano que vem, depois de anos levando cultura literária para as escolas de São Paulo. Saiu em todos os jornais a notícia do corte da verba para o Sistema S. Seja esse o motivo ou não, as demissões já começaram.

As compras de livros do PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola) estão suspensas por tempo indeterminado. Centenas de milhares de crianças de escolas públicas sem livros novos. Outros programas de compras de livros também estão parados.

O projeto Autor Presente, criado em 1972 no Rio Grande do Sul, foi interrompido. Todo ano o Autor Presente juntava autores e seus leitores em uma festa literária. O programa Lendo pra Valer do governo estadual do RS foi suspenso pouco antes do início da Feira do Livro de POA. As escolas que receberiam os livros do governo do estado ficaram a ver navios. Ainda no sul, a Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo foi cancelada. Um dos eventos literários mais importantes do país que existe desde a década de 80. 

Aqui no Rio, livrarias conhecidas estão fechando as portas. As Bibliotecas Parque, com seus prédios reformados e programação cultural intensa, correram o risco de fechar. Receberam um apoio da prefeitura para o pagamento dos salários dos funcionários e ganharam uma sobrevida limitada. Até quando não se sabe.

Feiras literárias importantes como a FLIP, o Salão FNLIJ e a Feira de Porto Alegre continuam devido aos enormes esforços dos organizadores. Mas estão menores. Sentiram o baque.

A compra de livros caiu muito. Conheço autores que desistiram de publicar e que estão buscando novos caminhos. Muitos não conseguem mais pagar as contas.

Os direitos autorais estão em risco. O MINC deseja agora criar um gestor coletivo para o ambiente digital. E para isso quer (adivinhem?) modificar a lei, mexendo em artigos essenciais para os autores (um filme que acompanhamos há alguns anos). Está tudo muito nebuloso ainda, o que não é bom. Existe um ante-projeto de mudança de lei que não é mostrado para ninguém.

Falando nisso, há ainda o boato de que o MINC será absorvido pelo MEC. Embora não concorde com algumas ideias do ministério, ainda é preferível que ele exista. Afinal, bem ou mal, existimos para eles.

Isso tudo que eu escrevi (e há ainda muito mais) aconteceu no período de um a dois anos. Foi uma porrada atrás da outra. 

Não sei quanto à vocês, mas estou com raiva. Estão estragando tudo o que suamos para conquistar.

Espero que o ano que vem seja melhor para todos. Só não digo que não pode ser pior porque pode.

It's a hard knock life!

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