sábado, 23 de abril de 2011

Resposta de Thaís Linhares aos que questionam a posição dos autores em relação aos Direitos Autorais

Só para constar, concordo em 100% com tudo o que a Thaís disse aqui.

Ao ser questionada por um amigo sobre a posição dos autores em relação à Lei de DAs, e se a abordagem protecionista do país não seria uma das grandes causas do histórico atraso tecnológico e produtivo nacional, a ilustradora e escritora Thaís Linhares respondeu:  

"Você já leu a Lei Brasileira dos Direitos Autorais e similares de outras nações?

Como você imagina que seja a forma ideal de se remunerar um criador pelo seu trabalho? (Pense nisso, a única opção proibida é achar que autor vive de vento).

Onde você imagina que as ideias irão florescer mais facilmente: num mundo onde o autor precise participar do lucro obtido com seu trabalho, ou num mundo onde o autor nem ao menos precise ser consultado?

Compreende que as diferentes formas de produções artísticas demandam diferentes formas de distribuição e divulgação? Uma coisa que funciona com música, não vai dar certo com livros ou imagens...

As questões que você e outros leigos propõe já foram discutidas exaustivamente. Nenhuma delas está sendo colocada em pauta. São ponto pacífico em qualquer nação desenvolvida (e até nas nem tanto) do planeta.

O que está em pauta é se pessoas que tenham à sua disposição meios de distribuir e lucrar com conteúdo criativo terão ou não de dividir seus lucros com os criadores. E só.

Uma situação idêntica ao que ocorreu com o advento da prensa do Guttemberg. Época aliás, em que se começaram a formular as primeiras leis de proteção da obra (nem mesmo era do autor! Era o REI quem detinha os direitos).

Ainda no século XIX, na Convenção de Berna viu-se a importância de colocar o autor como participante deste lucro. De outra forma, não haveria liberdade nem autonomia de criação.

Lembre do que era na Idade Média e Renascimento: não existia direito do autor, sequer era importante o reconhecimento do mesmo. Assim, toda arte pertencia ao mecenas. Que determinava o tema, e até a alteração e destruição de obras maravilhosas. Serão os Google e a Microsoft, junto com as grandes redes de comunicação, os futuros mecenas?

Os ateliês da renascença, pra tentarem se manter, mantinham seguros e sigilosos seus cadernos de moldes. E todo artista que entrasse pro mesmo precisava se comprometer em manter os sigilos, não raro sob pena de morte. Nada simpático, mas era o que rolava na falta de uma Lei de Direitos Autorais.

Agora olha como séculos de avanço na questão dos Direitos Autorais nos deixaram (no Brasil, nos EUA é diferente, lá vale os donos do dinheiro mesmo).

Aqui todo endinheirado pode investir em arte, mas é obrigado a repassar parte pro autor. Assim, na Internet, como qualquer outro meio de uso da arte, pode usufruir à vontade, desde que repasse parte do que lucrar. Por outro lado, um artista muito do pobrezinho, mas que possa fazer seu blog, pode começar a juntar moedas expondo sua arte diretamente ao público via Internet… isso é que é novidade boa!

A Internet trouxe a possibilidade de nós, autores NÃO MAIS PRECISARMOS DE ATRAVESSADORES. Em outras palavras. Esse argumento de que as produtoras e editoras prejudicavam a transmissão da arte ACABOU. Claro que isso deixa os donos do capital bem mal-humorados e doidos pra retomar o poder que detinham sobre nós autores.

Você não acha no mínimo suspeito, que no momento em que podemos começar a ganhar diretamente queiram nos tirar o único mecanismo que possibilita isso, que é a Lei dos Direitos Autorais?

Quem investia no autor, vai investir onde se não puder mais contar com Direitos Autorais? Claro que não. Isso não é óbvio? O capital é livre, e vai pra onde o lucro for maior. Assim, o cara que publicava seu livro, vai levar a grana paras ações do Google, etc. Ou vai usar, gratuitamente (se a Lei cair) as produções de alguém, pra encher sua telinha de anuncios de viagra etc.

Toda mudança traz "dor"? Pois a Internet é justamente o que pode possibilitar um estouro fantástico na produção autoral. Um cartunista pode vender seu cartun pra duzentos sites ao redor do mundo. Quinhentos blogueiros podem querer seus textos… e mesmo que vc os "venda" por 1 real… já irá ganhar muito mais do que estivesse dentro de um esquema convencional de editora. E já está acontecendo. Vários colegas escritores já estão a fechar contratos pra ebooks, até em outro países. Eles recebem um adiantamento de direitos (coisa que só costumava acontecer pros ilustradores e tradutores nesta área).

Imagine uma banda nova recebendo por ad-sense no Youtube?

Antes que me diga que isso não tem como controlar… (não acho que fosse dizer isso, mas vá…) Conheço sites onde isso já é feito. Eles firmam um contrato, super simples, vinculam o seu vídeo e lhe repassam parte de tudo que é ganho com os anunciantes vinculados, além de um depósito inicial de $ 3.000,00.

Eles só se dão a esse trabalho porque a Lei obriga. Se a Lei não obrigasse a única diferença é que eles ficariam também com a parte que iria para o produtor do vídeo.

Me diga, então, porque é justo que cada site, cada canal de TV, cada estação de rádio, cada jornal online, GANHE com a transmissão de nossas criações e nós, os criadores, que investimos tempo e dinheiro para que o produto existisse não ganhemos nada? Se falar no anunciantes, que só expõe seu produto se puderem colocá-lo lado à lado com algo de interesse público. Assim, porque não garantir a parte justa desse lucro todo ao criador que está ajudando a enriquecê-lo?

Tem ideia de quanto tempo leva pra produzir um livro? E uma arte? E um desenho animado? Sabe quanto gente tem de unir esforços pra produzir um filme ou um espetáculo de ópera? E uma orquestra? Quem vai pagar pelo tempo e estudo necessário? Quem é melhor entenderá disto? Leigos, que mal tocaram numa caneta pra toscamente criar algumas frases "inspiradas" ou os artistas, que de fato se dedicam à criação autoral com todas suas demandas e sacrifícios.

Em que países acha que os autores, criadores e inventores irão produzir mais e de forma mais independente? Num país onde recebem proporcionamente ao que é ganho com o que fazem, ou num onde não recebem nada?

Muitos acham que o autor é um ególatra incurável e que ficaria feliz com elogios. Bem, isso é uma questão individual. Conheço médicos e engenheiros mais ególatras que a maioria dos artistas que conheço, e nem por isso posso usufruir do conhecimento deles em troca de elogios.

Vocês poderiam estar discutindo, por exemplo, os salários de jogadores de futebol, de top-models, de artistas de cinema… A apenas décadas atrás eles ganhavam miséria. Olha como acabou o Garrincha, Gloria Swanson… e outros. Quanto "vale" o trabalho deles?

Se hoje em dia essas categorias ganham rios de dinheiro, foi porque se chegou a justa conclusão de que deveriam participar do lucro que era obtido através do que "produziam". Os estádios se enchem pra ver Ronaldinho, os Fashion Weeks lotam pra ver Gisele Bunchen, etc. Etc. Vão liberar também o direito de imagem dos famosos pra que eu o use na Internet sem ser processada? Quero poder fazer camisetas do Real Madri com o nome do Ronaldo então...

Ainda assim… o que eles ganham não é nada perto do lucro total obtido. Ídem com a arte. Ídem com a produção autoral.

Assim que eu, você, e o menino de periferia, criar algo que venha a lucrar milhares de reais pros provedores, retransmissores, utubadores, OI-VIVO-TIMs, whatever,… graças ao texto da LEI , eu, você e o menino de periferia iremos ganhar um pedacinho disto. E nem vai coçar pros tecnocretinos, mas será nosso sustento justo e possibilitará que continuemos criando e gerando mais renda, mais arte e mais cultura.

Não é a Lei que segura ou atrasa nada. Pelo contrário, ela é a única coisa que libera o autor. Apenas recentemente começou a ser possível sentir o impacto positivo da mesma, porque agora podemos nos liberar dos atravessadores.

Até ontem, nós autores, dependíamos demais dos editores, produtores, capitalizadores, e éramos obrigados a engolir contratos cujos termos se resumiam a: "repassar todos os direitos ao atravessador!!!" Esses sim, atravancavam tudo, muitas vezes adquirindo direitos de obras apenas para deixá-las no ostracismo e evitar sua publicação pelo concorrente. Coisa que a Abril fez com títulos de quadrinhos aqui na década de 80/90! E quanta coisa presa na EBAL! Nada disso por culpa dos autores!

NENHUM AUTOR ou herdeiro se oporá a distribuição de divulgação de sua obra! Ele certamente gostará de ganhar o dinheiro que iria todo pro bolso do atravessador.

Enfim: não existe essa de liberar os direitos e achar que isso vai alavancar a produção artística! Se um guri num blog pega uma música ou arte de alguém, ninguém se esquenta. Ninguém vai perseguir usuário! Isto já foi deixado claro tanto pelo Ministro Gil, quanto pelos sucessores Juca e agora a Ana Holanda. Não é isso que incomoda! Eu já vi desenho meu em capa de fanzine, em blog, etc. Achei o máximo. Mas vou ficar puta de ver o Google ganhando ad-sense em página de ebook meu pirateado! Já vi blog com downloads de dezenas de livros de colegas meus (que mal tiram R$200,00 POR ANO em direitos) ganhando fortunas com anunciantes de peso, como operadoras de celular!

Quanto às associações de autores estarem de olho nisto tudo, e do lado da Ana Hollanda, pode perguntar diretamente! Já postei aqui no meu wall os links pra principais! Cartas e mais cartas de apoio já foram endereçadas ao MinC, algumas delas já publicadas nos jornais. E em todos os Fóruns e reuniões estamos presentes (representantes das associações). Acompanho junto com os representantes das mesmas os fóruns deste a inauguração da discussão. Nossos representantes já foram a Brasília, não raro corremos pelo Brasil afora, articulando e vigiando de perto… e com muita ralação! Porque, não se iluda, autor é pobre! Quem tem dinheiro pra colocar advogado, mídia etc contra os DIREITOS DO AUTOR é quem já está lucrando os "tubes" com os mesmos e se recusa a dividir sequer um pedacinho do bolo.

Fique ligado no meu blog, tem vários textos esclarecedores lá sobre suas dúvidas:

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Encontro da Cadeia Produtiva e Criativa do Livro com a Ministra da Cultura

Acabei de voltar do centro da cidade, onde participei como ouvinte do Encontro da Cadeia Produtiva e Criativa do Livro com a Ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Fui representar a AEI-LIJ com outros colegas associados: Maurício Veneza, Sandra Pina, Rogério Andrade Barbosa, Flávia Côrtes e Sonia Rosa.

Como não levei caderninho nem máquina fotográfica ou filmadora, segue um resumo muito brando do que foi o evento. O encontro deveria começar às 11hs, mas atrasou 40 minutos. O auditório Machado de Assis estava lotado. Calculo que havia ali por volta de 200 pessoas ou mais. Na platéia estavam Beth Serra, da FNLIJ, Ruy Castro, Marina Colasanti, Antonio Torres, Arnaldo Niskier e muitas outras personalidades do cenário da literatura brasileira.


A mesa era formada por 10 representantes da cultura literária do país. Além da Ministra Ana de Hollanda, discursaram o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, o simpático anfitrião da casa, que falou sobre os elos da cadeia produtiva e criativa, sobre a digitalização do acervo da BN, enfatizou as conquistas do último governo, informou sobre a construção de um novo prédio na zona portuária, a Hemeroteca Nacional, e os novos passos da instituição,  que incluem a possibilidade de aluguel de livros digitais. Em seguida Galeno passou a palavra para o presidente da UBE, Joaquim Maria Botelho, que levantou o assunto sobre a nova lei dos Direitos Autorais. Joaquim disse que o autor é o elemento primário na criação e que deveria ser ouvido. Alegou que a nova DA, depois que foi revista, está melhor, mas que ainda existem espinhos que devem ser discutidos. Seu discurso foi breve e certeiro. No fnal convidou a Ministra para uma reunião de membros da UBE.

Não me lembro agora da ordem que se seguiu (eu devia mesmo ter levado um cadernnho), mas Jorge Nunes, da Abrelivros declarou apoio à Ministra e disse que sua Associação ofereceria ajuda em futuras discussões. Domício Proença representou a ABL e prontificou-se a ler a carta dirigida ao MINC por ocasião da consulta pública da nova lei de DA. Ana de Hollanda pediu então que os comentários fossem feitos em cima da lei revista após a consulta. Um representante da LIBRE (que infelizmente não tomei nota do nome) apresentou sua instituição e ressaltou a importância da Liga, que embora seja de pequenas editoras independentes, também tem seus best-sellers e são fundamentais para a disseminação da cultura (Aqui ele mencionou o livro da Bruna Surfistinha, o que acarretou risadas da plateia, depois acrescentou que também publicavam poesias, histórias infantis, contos e romances de ficção, entre outros).  

Karine Pansa, presidente da CBL, leu um texto onde falava sobre a ligação de autores, editores e livreiros. Sonia Machado Jardim, presidente da SNEL, ressaltou a importância da nova lei e agradeceu à Ministra por ter pedido a revisão do texto. Disse que ainda não estava perfeito, mas que as alterações levaram a uma melhora evidente. Sonia alertou sobre o perigo que a pirataria representa e comentou que deveríamos aprender com o desastre que aconteceu com a música, onde os artistas dependem somente de seus shows. Brincou ainda perguntando ao Domício se ele conseguiria viver de shows e ele respondeu que "com cantos líricos se garante" (risadas na plateia). Sonia fez uma defesa dos autores e editores e foi muito aplaudida.

Um representante do Colegiado Setorial do Livro e Leitura, Instituto Pró-Livro, falou sobre o colegiado, sua ligação com os setores de produção e o produto final, o livro (segundo ele, os meios que justificam o fim, ou algo assim). Reclamou ainda da grande quantidade de livros estrangeiros traduzidos e publicados em detrimento dos livros de autores nacionais. No final cobrou uma posição sobre a Lei do Livro, parada desde 2003. 

Finalmente a palavra foi passada para o último convidado da mesa, o escritor Affonso Romano de Sant'Anna, que começou dizendo que no serviço público a roda é quadrada. E você tem que fazer a carruagem andar assim mesmo. Affonso falou sobre os quatro grandes momentos da cultura literária no Brasil. Primeiro com Monteiro Lobato, que editou livros e distribuiu para todos os cantos do país. Depois com as bibliotecas sobre rodas. O terceiro momento com a leitura literária nas escolas. E agora o quarto momento, com a Fundação Biblioteca Nacional que leva o livro para fora das escolas. O escritor também comentou sobre a participação da presidente Dilma no programa de Ana Maria Braga. "Ninguém percebeu o episódio mais marcante do programa. Enquanto preparava seu omelete, a presidente falou que, quando jovem, gostava de ler romances água com açucar. Seu pai, um intelectual búlgaro, dizia que para cada romance água com açucar que a filha lesse, teria de ler um Dostoiévski. Gente, temos uma presidente que leu Dostoiévski!", brincou.  No final de seu discurso, Affonso agradeceu à Ministra por fazer a "carruagem andar".

A Ministra então garantiu o apoio à BN e discursou sobre o novo momento literário. Garantiu que o Ministério ampliará o diálogo com os profissionais do livro e insistiu que o mercado crie livros que sejam acessíveis a todos os brasileiros, para que seja possível incluí-los em uma cesta básica. Disse que o Vale-Cultura seria um investimento maior do que a Lei Rouanet. Anna comentou ainda sobre a ampliação da BN e suporte à digitalização que a instituição promove. (Clique aqui para ler o discurso da Ministra)

Galeno terminou o encontro agradecendo a todos os presentes, mencionou a Lei de Biografias, disse que o evento "bombou" (mais risadas) e terminou seu discurso por volta de 12:40.

Outros assuntos foram apresentados pelos membros da mesa, mas como disse, não anotei. Puxando pela memória foi isso aí.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mais Concursos Literários

Há pouco menos de um ano, em junho do ano passado, escrevi um post que fala sobre os principais prêmios e concursos literários para textos inéditos, com foco na literatura infanto-juvenil que existem no Brasil (leia aqui). Escrevi sobre o Prêmio Barco a Vapor, da editora SM (atualmente na sétima edição), Concurso Nacional João de Barro, realizado anualmente pela Prefeitura de Belo Horizonte, Prêmio SESC de contos infantis Monteiro Lobato, promovido pelo SESC/DF desde 2003, e Concurso Nacional CEPE de Literatura Infantil e Juvenil (o primeiro foi realizado no ano passado pela Companhia Editora Pernambuco).

Bem, de um ano para cá, conheci outros concursos semelhantes que, embora os prêmios para o primeiro lugar sejam mais modestos, merecem figurar no calendário literário de todo escritor. Se os acima são considerados o Grand Slam dos escritos infanto-juvenis inéditos, os que seguem podem servir para preencher o circuito de prêmios literários. São eles:

Concurso Internacional de Literatura da UBE RJ - Prêmio Ganymédes José de Literatura Infantil e Juvenil - A UBE RJ busca homenagear um escritor diferente a cada ano. Em 2009 foi Monteiro Lobato (livros inéditos). Em 2010 foi Viriato Corrêa (livros publicados). Agora em 2011 é Ganymédes José (adoro "A Morte tem 7 Herdeiros" que ele escreveu a quatro mãos com a Stella Carr), também para livros inéditos. Não há prêmio em dinheiro ou publicação dos vencedores.

Concurso Literário Nacional e Regional da Academia Caxiense de Letras - gênero infanto-juvenil - Em sua 15ª edição, o concurso de Caxias do Sul (RS) premia com troféu os três primeiros colocados de cada gênero. Não há prêmio em dinheiro ou publicação dos vencedores.

Concurso Nacional de Literatura Infanto-Juvenil "Alcione Lüneweber-Mila Behrendt" - Estreando agora em 2011, esse concurso realizado pela Prefeitura de Ponta Grossa (PR) dá ao vencedor de cada categoria (leitor iniciante, em processo e fluente) o prêmio de R$1.200,00 mais a publicação da história, ilustrada, em uma edição de 1000 exemplares pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Destes, 100 são cedidos ao autor, a título de direitos autorais, e 900 distribuídos gratuitamente em bibliotecas, escolas, instituições e para críticos literários. Na primeira edição do concurso, os textos concorrentes deveriam se basear nas lendas de Ponta Grossa.

Prêmio Agostinho de Cultura - Em sua segunda edição (2011), o prêmio é oferecido pela editora Adonis, de Americana-SP, nos mesmo moldes do Barco a Vapor, porém com premiação muito menor (R$2.000,00). O prêmio serve como pagamento dos direitos autorais para uma edição de 3000 exemplares. Caso haja interesse das partes em novas edições, o autor passará a receber 10% do preço de capa.

Existem ainda outros prêmios menores, como o que ganhei de fábulas. Mas como não há comprometimento com novas edições, não coloquei na lista.

Além dos prêmios para livros editados que mencionei no outro post (Jabuti, UBE e FNLIJ), há ainda o Prêmio Literário Glória Pondé de Literatura Infantil e Juvenil da Fundação Biblioteca Nacional.

sábado, 2 de abril de 2011

Anilina, Ziguezague e Desiree

João Paulo Hergesel, criador do blog Joaninha Platinada, lança no final de abril o seu primeiro livro de contos infanto-juvenis, Anilina, Ziguezague e Desiree, pela editora Patuá.

Conheci o trabalho do JP através do 6º Desafio dos Escritores promovido pelo Núcleo de Literatura do Espaço Cultural da Câmara dos Deputados de Brasília, para o qual fui convidado a ser jurado. Me surpreendi com seu talento e criatividade. Esse jovem autor de 18 anos beliscou o segundo lugar e gravou seu nome ao ganhar o troféu de melhor história infanto-juvenil do Desafio. Não é pouca coisa não! Seus escritos chamaram a atenção da editora Patuá e parte dos textos criados para o concurso estão agora em Anilina, Ziguezague e Desiree.

Fiquei muito feliz por ter sido chamado para escrever o prefácio do livro. Orgulhoso por ter algumas poucas palavras minhas nesse trabalho tão bonito do JP. Parabéns ao João Paulo e à Patuá e obrigado por nos presentear com tão boa literatura.

Segue o release:

A combinação de três das características mais marcantes do autor – inteligência, criatividade e bom humor – deu origem às situações inusitadas e hilariantes que você, leitor, encontrará nos contos de Anilina, Ziguezague e Desiree.
Através de seus textos, o autor nos transporta magicamente ao seu mundo imaginário de tal forma que, como num sonho, passamos a fazer parte da história e conseguimos realmente sentir o que cada personagem sente, seja alegria, medo, frustração e até aquele friozinho na barriga.
Então, prepare-se para mergulhar em um mundo surreal de gatos empresários, mimeógrafos com depressão, personagens que saem de seus livros, caroços de abacate aterrorizantes, bússolas falantes e outras situações que só poderiam ter saído da imaginação única e surpreendente do João Paulo.
(Aryana Christine Ceretta de Araújo)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Concurso Cultural "Qual o melhor livro infantil de 2010 para você?"

Este ano você poderá participar da escolha dos 30 Melhores Livros Infantis do Ano elegendo o seu preferido. O livro deve ter sido lançado no ano passado, ou seja, em 2010 (você pode checar isso na ficha catalográfica do livro), voltado para crianças de 0 a 8 anos. Junto com o nome do livro, escreva também uma crítica. O texto mais legal vai ganhar um kit de livros da CRESCER (Bebês do Brasil, Crescer por um Mundo Melhor, Travessuras de Mãe e 101 ideias para curtir com seu filho). E o livro mais lembrado pelos leitores fará parte da lista dos 30 Melhores Livros Infantis deste ano.

Para participar do concurso, clique aqui.

Caso vocês achem merecido, peço que votem no meu livro "Condomínio dos Monstros", da editora RHJ com ilustrações de Cris Alhadeff.
A história mostra diferentes personalidades em um mesmo ambiente (monstros em um edifício de apartamentos!) e discute a necessidade de regras de convivência. Até onde vai o limite de cada um? Afinal, como a Múmia poderá dormir seu sono de 1000 anos se os vizinhos fazem tanto barulho? Tudo é resolvido em uma divertida reunião de condomínio. Ou será que não?
Procurei diversificar os personagens e misturei monstros clássicos (Múmia, Vampiro, Bruxa) com outros do folclore brasileiro (Saci, Mula sem cabeça, Bicho-papão - que a Cris fez com a cara da Cabra Cabriola). Espero que gostem!

domingo, 27 de março de 2011

Como os livros eram feitos em 1947

Making Books foi produzido em 1947 pela Encyclopedia Britannica Films Inc. É um pequeno documentário sobre como os livros eram criados. Sensacional! Imaginem o trabalhão que os editores tinham. O.o 

sexta-feira, 25 de março de 2011

20 dicas para publicar seu livro

Apesar de não trabalhar em editora, de vez em quando aparecem em meu e-mail alguns textos para analisar. A maioria é muito ruim, embora já tenha lido ótimas histórias. Claro, não estou aqui falando de colegas escritores, mas de conhecidos e desconhecidos que não tem experiência literária. Sabe o amigo do primo? Ou aquele irmão do colega da escola que resolveu, de uma hora para a outra, começar a escrever? Normalmente esses textos vêm com um pedido para que eu apresente um editor e ajude a publicar o livro. Não é bolinho, não!

Pensando nisso, criei uma lista para ajudar esses novos autores. Seguem 20 dicas para terem seus livros publicados:

1) Leia bastante. Fique por dentro do que está acontecendo no mercado.

2) Tenha uma boa história. Seja criativo. Procure escrever algo diferente do que se vê por aí. Meu antigo professor dizia: "Use the 5 Ws (Who, what, where, when, and why)". Eu procuro resolver a trama na cabeça antes mesmo de colocar no papel. Outros preferem ir escrevendo para ver onde o texto pode levar. Não existe regra para isso. Enxugue os  excessos. Drummond já dizia: "Escrever é cortar palavras". Ah! E se for literatura infantil, evite o uso de gírias.

3) Quando terminar de escrever, leia para si mesmo em voz alta. Corrija os erros que notar.

4) Faça uma revisão do texto. Utilize um corretor gramatical.

5) Deixe o texto "descansar" por uma semana ou mais. Releia depois. Faça as mudanças que achar necessário.

6) Peça para um ou mais amigos lerem e opinarem. Não vale a mãe, esposa, pai ou marido. Irmãos talvez sejam uma boa, já que vivem se implicando :-). Lembre-se: Aqui as críticas são mais importantes do que os elogios.

7) Não é necessário fazer as mudanças que te sugeriram. Mas tente absorver as primeiras críticas e mudar o que você achar interessante. Lembre-se que por mais que você ache seu texto incrível, é bem possível que ele não o seja. Eu já escrevi textos, cujo resultado adorei, mas hoje já não gosto mais. Isso é comum.

8) REGISTRE seus escritos na Biblioteca Nacional!

9) Inscreva o texto em algum concurso literário. Existem vários pelo Brasil afora. Mesmo que você não ganhe, vale a experiência. Participe do Desafio dos Escritores. Entre em comunidades literárias no Orkut e Facebook. Sugiro a comunidade "Concursos Literários". Troque experiências.

10) Ao invés de mandar seu texto para a primeira editora que encontrar, pesquise antes. Visite os sites na internet. Veja os catálogos. Vá a uma livraria e faça uma lista. Não adianta enviar um texto infantil para quem não trabalha com infantis, não é? Descubra também quem recebe originais por e-mail e quem só recebe pelos correios. Pense na possibilidade de publicar em e-book.

11) Faça uma pequena sinopse do seu texto. Cite pontos positivos. Apresente-se.

12) Frequente feiras literárias, bienais, encontros de escritores. Mostre a cara. Faça amigos no meio.

13) Crie um formulário em Excel, ou outro, e preencha qual o texto que foi para qual editora em qual data. Mantenha um histórico do que foi enviado, para não correr o risco de mandar um texto recusado para o mesmo lugar.

14) Depois que enviar o texto, tenha paciência. Não vá ficar ligando todos os dias para o coitado do editor. Lembre-se que nessa hora é bom não parecer desesperado. Fama de chato também não ajuda. Eu, particularmente, acho esse o pior momento. Dá uma vontade danada de ligar sempre, de saber o que está acontecendo, se o texto está sendo bem avaliado, etc. Mas vai por mim. Não ligue e nem encha a caixa de e-mails do cara. 

15) Após 6 meses do envio, aí sim, ligue para a editora. Peça para falar com alguém do editorial e pergunte que fim levou sua história. Seja simpático. É provável que você faça amigos aqui.

16) Prepare-se para ter seu texto negado diversas vezes. Poucos editores dão os motivos reais da negativa, mas alguns deixam escapar uma ou outra pista. Aprenda. Ouça o que dizem e, se for necessário, melhore o texto (e os próximos) nos pontos indicados.

17) Fechou um texto? Comemore! Mas saiba que não acabou por aqui.

18) Aguarde o contrato. Leia com atenção. Normalmente o autor leva 8-10% de capa, mas pode ser menos. Veja quantas cópias você tem direito e qual o prazo do contrato. Leia as letras miúdas. Lembre-se que a hora de conversar é agora. Depois não adianta mais. Recomende um ilustrador.

19) Quando o livro estiver pronto, marque o lançamento e chame os amigos. Os holofotes estarão em você. Esse é o momento pelo qual você tanto esperou. Parabéns!

20) O trabalho não acaba aqui. Agora começa a divulgação e venda do seu livro. Quanto mais o livro vender, mais você ganhará. Dê entrevistas. Anuncie em um blog literário. Tenha o seu blog. Coloque no Facebook, Twitter, e onde puder. Dê palestras em escolas. Cobre a editora para que ela o inscreva em programas de governo. E se você gostar de tudo isso, comece a bolar uma nova história e faça tudo de novo.

Claro que existe dezenas de outros detalhes no decorrer do processo, mas é mais ou menos isso aí. Se você não conseguir publicar em alguma editora, existe ainda a possibilidade de investir em self-publishing. É uma ideia que não pode ser totalmente descartada.

Eu amo o que faço. Adoro inventar histórias e contá-las aos meus filhos. No entanto, é bom alertar que a vida do escritor não é fácil. São noites mal dormidas, pouco tempo de lazer, muita revisão, longas esperas e algumas frustrações. O dinheiro é pouco, o que torna muito difícil ter a escrita literária como única ocupação. Mas uma coisa eu digo: A sensação de ter seu livro nas mãos, aquela história que nasceu e cresceu na sua cabeça, é uma das mais prazeirosas que eu conheço. Uma mistura de orgulho e satisfação pelo dever cumprido, sabe? Recomendo a todos!

Boa sorte!

terça-feira, 15 de março de 2011

12/03/11 - Contos de Naná

O blog Contos de Naná indica a leitura do Condomínio dos Monstros. Um beijo para a talentosa Naná Martins, uma escritora que sabe das coisas! :-D

Condomínio dos Monstros
"Quer uma indicação de leitura para o final de semana? Então, aqui vai: Condomínio dos Monstros! Dos talentosos amigos Alexandre de Castro Gomes e Cris Alhadeff.
Tenho certeza que você vai achar um de seus vizinhos (parecidos) por lá..."

quinta-feira, 10 de março de 2011

Carta de apoio à Ministra Ana de Hollanda

Rio de Janeiro, 09 de março de 2011.


Exma Ministra da Cultura

Sra. Ana de Hollanda,

Ilma. Ministra,

A Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ) vem manifestar total apoio às declarações de V. Exa. sobre as mudanças na Lei de Direitos Autorais.

A posição adotada por esta Administração traz grande alento aos autores que, finalmente, veem o MinC preocupar-se em respeitar os direitos dos autores de obras artísticas e intelectuais. A orientação política delineada por V. Exa. vem ao encontro das demandas que apresentamos ao v. antecessor, e divulgadas em nossas publicações e cartas há muito tempo.

A AEILIJ tem participado da Câmara Setorial do Livro, Leitura e Literatura por alguns anos e em diversas ações do MinC. Em 2010 publicamos na edição nº 14 de nosso boletim uma entrevista com Marcos Alves de Souza, da Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC, que nos garantiu que nenhuma cláusula lesiva aos direitos dos autores passaria no anteprojeto de Lei. Como pudemos constatar, não foi bem isso o que aconteceu. O parágrafo único do artigo 46 da minuta proposta pela antiga gestão do MinC, por exemplo, fere todos os nossos direitos ao permitir o uso quase ilimitado do nosso trabalho sem autorização e remuneração.

Tornamos público nosso apoio e colaboração à corajosa iniciativa de V. Exa., na certeza de que defendemos a sobrevivência artística e profissional dos autores que representamos, assim como à democratização da Literatura no Brasil.

Atenciosamente,

Anna Claudia Ramos

Presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil

www.aeilij.org.br

07/03/11 - Portal Caras

Outra notinha sobre a peça do Condomínio dos Monstros. Dessa vez a data está certa!

Simone Soares e Mario Meirelles: paixão que dura 11 anos

"... Intérprete da Fernanda de Escrito nas Estrelas (2010), ela prepara a volta aos palcos. Em setembro monta o infantil Condomínio dos Monstros..."
"... Simone revela que vai atuar em espetáculo infantil a partir de setembro e diz que Luana é sua inspiração para o novo trabalho."

quinta-feira, 3 de março de 2011

Meu Nook Color chegou!

Quando os leitores de e-books começaram a surgir, eu pensei que fosse uma moda passageira. Esnobei mesmo. Já tinha ouvido falar no Kindle, mas nunca dei bola. Um dia fui tomar um chope com um amigo no bar Clipper, no Leblon. Acabamos conversando com um sujeito na mesa ao lado que nos mostrou o Cool-er, outro leitor digital. Seu nome era Duda e ele estava criando a Gato Sabido. Dei uma olhada no aparelho, achei legal, mas quando vi que era só preto e branco, me desinteressei. Afinal escrevo infantis e neles a cor é fundamental. Falei para o Duda sobre o portal Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br) onde ele poderia pegar alguns textos e oferecer na Gato Sabido. No final do papo o Duda me deu seu cartão e me pediu que o enviasse algum texto meu para ele vender no site dele. Acabou que não enviei nada na época. Hoje a Gato Sabido é um sucesso e acabei perdendo a chance de participar dos primórdios das vendas de e-books infantis no Brasil.

Tenho amigos que adotaram o e-book como forma de publicação. O JP Veiga é um deles. Já comprei alguns livros seus, editados pela Caki Books e vendidos na Gato Sabido e em outras lojas virtuais. A Angela Lago já se aventurou por essas bandas também, com seu belo De Morte!. Resolvi que também terei meu e-book infantil.

Como não tinha o leitor digital, precisei comprar o aparelho. Quero testar meu e-book antes de oferecê-lo a alguém. Procurei um que aceitasse PDF, EPUB e todos os formatos mais conhecidos de livros virtuais. Apesar da tecnologia e-ink ser ideal para a leitura, ainda não há no mercado um leitor com e-ink colorido. Já li que até o final do ano o e-ink colorido estará a venda, mas pelo preço de 600 a 700 dólares. Bem, eu não imaginava gastar tanto assim de cara, então fui ver quais as opções em LCD. O iPad mais barato custa $500,00. Achei outros leitores coloridos, como o Velocity Micro Cruz, Skytex Primer, Augen, mas nenhum deles tinha a mesma resolução de tela e quantidade de memória, além da aceitação de vasta gama de formatos de e-books, que tem o Nook Color, da Barnes and Noble. O preço também agradou: $250,00 - metade do iPad.

O Nook chegou no fim de semana passado. O bichinho é uma maravilha. Tem touchscreen, wi-fi, acesso a internet, guarda músicas em mp3, fotos da família, projetos de livros, documentos, organiza os livros por prateleiras, a B&N oferece livros gratuitos para download, enfim, maneiríssimo! Claro que, como o Nook Color acabou de ser lançado, há ainda algumas falhas no software do aparelho. Não dá para programar a hora pelo horário de Brasília, só pelo horário americano. As capas dos livros baixados pelo site da Barnes and Noble são coloridas, mas os outros tem a capa padrão cinza. O aparelho ainda não aceita filmes em flash. São oferecidos pouquíssimos jogos. De acordo com a Barnes and Noble, esses e outros pequenos detalhes serão resolvidos nas próximas atualizações do software. Basta esperar um pouco.

A Cris já leu histórias no Nook para as crianças na cama, e eles adoraram a novidade. Valeu a pena. Achei uma ótima compra. O primeiro passo para a criação de meu e-book.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Convite para Liberdade

Rio, 9 de janeiro de 2011.

Prezada Liberdade, como vai?

Por aqui tudo continua maravilhoso. Acordo sempre com o sol iluminando esse tapete verde, que é a maior floresta urbana do mundo. Vejo pássaros, micos e outros bichos se aproximando, em busca das mais suculentas frutas tropicais.

Tenho uma vista espetacular aqui de casa. O contraste da areia branca de nossas praias, salpicada de barracas coloridas, com o mar ao fundo e o céu azul celeste é de encher os olhos! E os morros? Cada um mais bonito do que outro: Pão de Açúcar, Dois Irmãos, Pedra da Gávea...

Não é a toa que moro em um também.

Adoro o bom humor dos meus vizinhos. Os cariocas trabalham com um sorriso no rosto. Seja qual for o problema, ele acaba quase sempre resolvido após um chopinho ao entardecer ou depois da pelada em um dos vários campinhos que temos por aqui. Quando a noite chega, durmo embalado pela bossa nova, pelo chorinho, pelo samba... Você tem ideia de como isso é bom?

Eu não te disse ainda, mas sediaremos as Olimpíadas de 2016! Estamos arrumando o Maracanã! Nosso estádio voltará a ser um dos mais belos do mundo. O pessoal está tão entusiasmado que muitos passaram a se dedicar de corpo e alma ao esporte. Nunca vi tanta gente pedalando em nossas ciclovias, tantas regatas na Enseada de Botafogo, nem tantas duplas de vôlei de praia. Vocês, que estão acostumados a liderar a corrida de medalhas, não perdem por esperar! ;-D

Bem, escrevo para convidá-la para o aniversário de 446 anos do meu Rio de Janeiro! O traje é informal praiano (chinelo, bermuda e camiseta). Não é necessário trazer presente, pois, como vê, já temos quase tudo. A festa será no dia 1º de março, na semana antes do carnaval. Aliás, recomendo esticar sua estadia para que você possa curtir essa outra festa também. Nosso carnaval é certamente o melhor e mais divertido do mundo! O desfile das escolas de samba no Sambódromo e os blocos carnavalescos são imperdíveis. Quer que eu separe uma fantasia para você?

Esperarei de braços abertos!

Um abraço carinhoso do amigo

Cristo Redentor

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Condomínio dos Monstros - Resenha


Condomínio dos Monstros 
de Alexandre de Castro Gomes
Resenha de Simone Pedersen

UM LIVRO DO QUAL GOSTEI MUITO

Os tempos mudaram e hoje muitos moram em apartamentos, obrigando as pessoas a aprenderem a conviver em grupo de forma muito próxima. Nossas crianças brincam no playground e na piscina do prédio, ou visitam amigos em condomínios. Dessa nova realidade, surgiu a sacada inteligente do autor, quando escreveu Condomínio dos Monstros. A qualidade do texto não parou por aí. Pior ainda entre monstros, o convívio social deles é complicado e respeitar as regras é fundamental. Quando a múmia sentiu-se impossibilitada de dormir seu sono milenar por causa do barulho dos vizinhos monstros, marcou uma reunião com a galera. Se o Esqueleto não faz barulho, suja por onde passa com seus ossos que caem. O Fantasma arrasta as correntes e o Lobisomem é pulguento. E quem será que aperta todos os botões do elevador? — perguntam ao Saci... Após uma negociação, uma das partes não cumpre o prometido e assim, os monstros são obrigados a buscar uma nova solução... O livro tem muitas tiradas inteligentes, humor agradável e um texto delicioso que agrada tanto os grandes quanto os pequenos. Para completar, aparece a ilustradora em seu primeiro trabalho, provando que veio para ficar. A bruxa traja vestido fashion de renda, as imagens são complementadas com detalhes que enriquecem e agradam os pequenos. Hoje, ambos – autor e ilustradora – têm inúmeros trabalhos publicados e outros tantos em processo de publicação, o que só comprova a qualidade da dupla. O Condomínio dos Monstros também virou peça de teatro e a estreia será ainda nesse ano, em São Paulo. Publicado pela RHJ, autor Alexandre de Castro Gomes e ilustração de Cris Alhadeff.

16/02/11 - AEI-LIJ Paulista / Fragmentos

Notícia boa vicia. Ontem fiquei sabendo que meu livro "Festa do Calendário" está nas chamadas do site da RHJ. Hoje li uma crítica muito bacana da autora Simone Pedersen para o "Condomínio dos Monstros", no blog da AEI-LIJ Paulista. Tomara que amanhã venha outra novidade boa!


Condomínio dos Monstros
autor: Alexandre de Castro Gomes

Os tempos mudaram e hoje muitos moram em apartamentos, obrigando as pessoas a aprenderem a conviver em grupo de forma muito próxima. Nossas crianças brincam no playground e na piscina do prédio, ou visitam amigos em condomínios. Dessa nova realidade, surgiu a sacada inteligente do autor, quando escreveu Condomínio dos Monstros...

*Também publicado no blog Fragmentos, de Simone Pedersen.

Festa do Calendário no site da RHJ

Meu novo livro está quase pronto! A RHJ colocou o "Festa do Calendário" na relação dos livros "Em Breve".
FESTA DO CALENDÁRIO
Autor: Alexandre de Castro Gomes
Ilustradora: Cris Alhadeff
| 28 págs | Formato: 20,0x26,0cm | 4 cores |
Temas:
Ciclo do tempo;
As diferenças.

Sinopse:
Em breve. 
Bem, como eles ainda não colocaram a sinopse, adiantarei aqui:
O novo diretor da empresa conhece seus novos comandados na festa de fim de ano do lugar. Ele é apresentado a Sexta-feira, uma ótima funcionária, mas que gosta de sair mais cedo do trabalho, Fevereiro, um baixinho que tem a mania de usar fantasias, Domingo, um cara super família, que anda com as fotos dos filhos na carteira, Segunda-feira, a funcionária deprimida, Outubro, o crianção da turma, e a vários outros empregados da Calendário S/A.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Leitora do Condomínio

De vez em quando recebo fotos de leitores com algum de meus livros. Acho muito bacana e resolvi colocar a última aqui. Essa é Dani, filha da autora Amanda Reznor. Ela adorou a história e eu adorei a foto!


Dani, um grande beijo para você!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Livros que me criaram

Todos temos livros que marcaram a nossa infância, não é? Eu tive um monte. Desde quadrinhos até livretos de bangue-bangue vendidos em bancas de jornais. Devorei Helio do Soveral, vulgo Luis de Santiago ou Irani de Castro ou Yago Avenir, degustei Stella Carr, sorvi Marcos Rey, saboreei Ziraldo, Luis Fernando Veríssimo, Monteiro Lobato, F.Ibanez, Uderzo e Goscinny e tantos outros gênios.

São tantos autores que me transformaram em quem eu sou, que nem ouso listar. São tantos conhecidos e tantos quase-anônimos. São tantos brasileiros e tantos estrangeiros...

Bem, quero usar esse espaço para falar um pouco sobre alguns livros que me criaram. Porque as histórias nos criam, nos transformam. Aprendemos lições. Construimos nossa moral. Eu me diverti muito com esses livros e espero que vocês se divirtam também.

Vou começar com 3 manuais. Os dois primeiros são ingleses e o terceiro é brasileiro.

Manual do Espião
Original: The Usborne Spy's Guidebook
Publicado no Brasil pela Editora Abril em 1980
Autor: Lesley Sims
Ilustrador: Colin King

Eu amava esse livro. Nele o autor dá conselhos e dicas para a criança que quer se tornar um espião. Entre os capítulos está "O uso de esconderijos", "Mensagens rápidas em código", "Tintas invisíveis", "Código secreto do anel", "Mensagens em Morse", "Truques para rastrear", "Como seguir discretamente" e muito mais. As ilustrações esbanjam humor e criatividade.

Quando eu ainda estava nos primeiros anos de escola, vários amigos meus tinham esse livro e criávamos equipes de espiões. Passávamos o recreio inteiro na brincadeira, tentando descobrir pistas que revelassem os códigos, mensagens e participantes dos outros grupos. Havia também uma equipe de detetives que usava outro manual, que aliás era sensacional também.

 
Manual do Detetive
Original: The Usborne Detective's Handbook
Publicado no Brasil pela Editora Abril em 1980
Autor: Anne Civardi
Ilustrador: Colin King

O livrinho de capa azul também tem ilustrações de Colin King. É quase uma continuação do Manual do Espião, com a temática bastante similar, embora direcionada ao ato de investigar. Aqui os códigos são substituídos por dicas de investigação, como descobrir pistas, truques de falsificadores, como descobrir assinaturas falsas, pinturas falsas, disfarces, jogos de observação, retratos falados, impressões digitais, como revistar uma casa, o mistério do museu, etc. Show!


Manual do Super-herói
Publicado pela Idéia Editorial em 1975-76
Autor: Claudio de Souza / Cesar Roberto Sandoval
Ilustrador: Michio Yamashita

Eu tinha 6 anos quando ganhei esse livro do Capitão Cometa, de capa dura, 190 páginas e ilustrações tão engraçadas que eu vivia copiando em tudo o quanto era papel. TODOS os personagens se vestem como heróis, até os animais. Os uniformes são divertidos e coloridos. Hoje, quando fui procurá-lo entre meus livros antigos, me surpreendi que seja brasileiro tamanha é a sua qualidade.

O SUPERÍNDICE tem: "Você também pode ser um Super-herói", "...Super-heróis da Mitologia...", "O equipamento dos Super-heróis", "O dia a dia...", "Os Superinimigos...", "Catálogo de Super-heróis", dentre outros.

Bem, esses são livros que ficarão para os descendentes. E quem não tem, vale uma busca na Estante Virtual!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

18/01/11 - Ofuxico

Olha mais um aí! Vai para a coleção! :-D
Só uma pequena correção. Ouvi da produção que a estréia será em São Paulo, no segundo semestre de 2011.


Atriz vai atuar no espetáculo Condomínio dos Monstros

...Em conversa com O Fuxico, a atriz contou a novidade e já adiantou que vai dividir o palco com Samantha Schmütz: “Estou super contente com esse novo papel na peça infantil Condomínio dos Monstros...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Licença involuntária. Isso é piada?

Infelizmente não. Acredite se quiser, a licença involuntária é a institucionalização do roubo que poderá ser cometido contra escritores, ilustradores, músicos e artistas em geral.

Bem, deixa eu resumir a história toda. Existe uma proposta, criada no governo passado, durante a gestão do ex-Ministro da Cultura Juca Ferreira, para alterar a atual Lei dos Direitos Autorais. Tá bom! Todos sabemos que a LDA precisa ser alterada para se adaptar aos novos tempos, à nova tecnologia, etc. Quanto a isso não há discussão. Refiro-me aqui à trechos do artigo 46 dessa proposta. São eles:
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Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais a utilização de obras protegidas, dispensando-se, inclusive, a prévia e expressa autorização do titular e a necessidade de remuneração por parte de quem as utiliza, nos seguintes casos:
...
XVII – a reprodução, sem finalidade comercial, de obra literária, fonograma ou obra audiovisual, cuja última publicação não estiver mais disponível para venda, pelo responsável por sua exploração econômica, em quantidade suficiente para atender à demanda de mercado, bem como não tenha uma publicação mais recente disponível e, tampouco, não exista estoque disponível da obra ou fonograma para venda;
...
Parágrafo único. Além dos casos previstos expressamente neste artigo, também não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução, distribuição e comunicação ao público de obras protegidas, dispensando-se, inclusive, a prévia e expressa autorização do titular e a necessidade de remuneração por parte de quem as utiliza, quando essa utilização for:
I – para fins educacionais, didáticos, informativos, de pesquisa ou para uso como recurso criativo;
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Uau! Alguém consegue enxergar o óbvio? Liberou geral! U-hu!

Vamos tentar entender o outro lado da moeda? Sou escritor. Algumas de minhas histórias levam meses para ficarem prontas. São noites de pouco sono, horas no computador, outras pesquisando livros, revisando o que foi escrito e por aí vai. Tempo e energia gastos só para conseguir terminar o texto que nem sei se será publicado. Depois vem as despesas com os correios, telefonemas para editores, algumas frustrações, algumas alegrias, negociação, lançamento, palestras, feiras, bienais, passagens, almoços, etc. Em meio a tudo isso, o livro finalmente é publicado. Quatro meses depois o autor recebe o primeiro pagamento, normalmente 10% do preço de capa dos livros vendidos, as vezes nem isso.

Como vê, é muito trabalho e pouco retorno. Férias? Plano de saúde? Vale-refeição? Décimo-terceiro? Nananinanão!

Poucos autores vivem somente de sua arte. Nem mesmo aqueles com anos de bagagem e vários livros lançados tem a vida fácil. Grande parte do parco dinheiro que nós, autores de literatura infantil e juvenil, recebemos vem de programas de governo, como o PNBE, kits literários de municípios e similares. Nossa aposentadoria são os livros. A herança de nossos filhos são os livros.

Aí você lê comentários que dizem: "Para mim uma ideia vale 50 centavos." (juro que li isso) "O escritor tem que procurar outra forma de ganhar dinheiro. O músico não vende shows? Então que vá dar palestras!" (nesse eu queria bater)

Tenho acompanhado os últimos acontecimentos na pasta da Cultura. Apoio a nova ministra Ana de Hollanda e acho que ela fará um ótimo trabalho. Tenho esperanças que ela corrija esse e outros artigos da nova LDA, embora esteja sofrendo pressões incríveis de grupos que visam lucrar com a mudança. Uma de suas primeiras ações foi retirar do site do MinC a referência ao Creative Commons (http://www.creativecommons.org.br/). Bem, quero deixar aqui bem claro que eu particularmente não tenho NADA contra o CC. Ao contrário, acho bastante interessante. Mas voltando ao assunto, é impressionante a avalanche de críticas que tal ato deslanchou. A mulher nem começou a trabalhar e já sofre um tremendo bullying político.

Agora veja a nova lei: Dispensa-se a autorização e remuneração do autor quando houver fins educacionais, didáticos, informativos...

Ou seja, faça o que quiser pois qualquer utilização pode se encaixar em um desses motivos. Pegue o texto e coloque-o todo em um blog. O autor que se lixe! Imagine a quantidade de gente que vai ganhar dinheiro com isso? Ah! Mas ganhar dinheiro não pode? Então o trabalho do autor será passar o dia inteiro pesquisando quem ganha dinheiro com seu texto ou não? Faça-me o favor!

A ideia por trás da nova lei é ampliar o acesso à cultura. Dar cultura para quem não tem. Acho lindo, mas a custa do quê? Quem vai se dar mal nessa história? Como justificar que o trabalho de alguém seja utilizado gratuitamente e sem a necessidade da autorização de quem o criou?

Se querem ajudar, então construam bibliotecas públicas em comunidades carentes. Cortem impostos de editoras, gráficas, livrarias, e quem mais estiver envolvido na produção, para poder diminuir o custo e abaixar os preços. Recentemente, aqui no Rio de Janeiro, fecharam a Modern Sound, Letras & Expressões, Renovar, Dona Laura e Siciliano (do Leblon). A DaConde encerrará suas atividades no próximo dia 31. Por que ninguém se manifesta? Cadê a ajuda para os livreiros?

Não acredito que essa turma ache que estejamos ganhando dinheiro demais com nossos livros. Creio sim que eles estão querendo holofotes sociais e economizar uma grana com a compra de livros para escolas. Grana essa que possivelmente será aplicada em benefícios aos seus partidos.

Se os espertinhos querem cultura de graça, então que abram mão dos seus altos salários. Vamos fazer um plebicito para reduzir os ganhos dos políticos para um salário mínimo? Quer apostar como a imensa maioria da população vai apoiar? Fazer caridade com o dinheiro dos outros é mole, não é? Aliás, já que estamos nisso, eu acho que educação tem que ser de graça também. Saúde idem. E a alimentação? Hoje cultura vem pela televisão e internet. Então energia de graça para todos!

Vou começar a escrever em inglês e procurar espaço lá fora. Se a lei passar do jeito que está, não escreverei mais uma linha em português. Imagine se todos fizessem o mesmo?

E para finalizar esse desabafo, copio aqui o que o colega Antonio Nunes, o Tonton, da terra do frevo e do maracatu, ressaltou em uma lista de autores: "...veja-se o que dispõe o Art 5o, XXVII, da CF/88: "Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissivel aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar". Logo, o famigerado art. 46 da proposta de revisão da LEi de DA é INCONSTITUCIONAL, pois fere diretamente imperativo da Lei Maior de nosso país."

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

24/01/11 - Entrevista de Nathalia Wigg ao Portal Ilha Carioca

Nathalia Wigg é minha amiga e escritora talentosa, acostumada ganhar prêmios literários por onde passa. Hoje li uma entrevista que ela deu, na qual menciona meu nome e de outros amigos da Bodega Literária entre os escritores que ela admira. Estou lisonjeado! Obrigado, Nathalia!


Aos 26 anos a escritora insulana Nathalia Wigg vem colecionando prêmios. Graduada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Língua Portuguesa, a escritora já produziu centenas de textos e já publicou seus trabalhos até no exterior...