segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Qual o papel do e-book para crianças?

A venda dos livros eletrônicos já é maior do que a dos livros tradicionais na Amazon. Os leitores de e-books estão ficando cada vez mais baratos. Hoje é possível comprar alguns modelos por menos de 100 dólares. A inclusão de aplicativos interativos amplia a possibilidade de uso. Em relação aos livros infantis, é possível colocar sons, animação, fotos, links, narração e muito mais. O livro virou um site.

Se pensarmos bem, por mais que me doa dizer isso, a morte do livro impresso é iminente. Foi assim com os filmes em video cassete, com o Jornal do Brasil, com discos e outros. Será assim com o livro. 

"Mas o prazer de ter um livro nas mãos, o cheiro do papel, as lindas gravuras, o barulhinho das folhas sendo viradas, isso tudo não pode ser substituído.", dirão alguns. De fato não pode para nós que crescemos assim. As novas gerações buscam informação por meios digitais. Eles não terão saudades de algo que pouco conheceram. Lembro-me dos defensores dos LPs. "O som é melhor e as capas são grandes e coloridas. O LP não vai acabar!". Pois bem, acabou. Descontando-se alguns poucos que ainda são criados para colecionadores, não há mais bolachas pretas nas lojas. E o CD vai pelo mesmo caminho.

Livro estraga, mofa, rasga, pesa, suja, amassa, dá bicho, ocupa espaço, perde-se e por aí vai. O livro digital fica lá guardado na rede. Sempre leve e novinho em folha (ou em bytes). Não há como fugir disso, embora eu acredite que levará muitos anos ainda para que seja aposentado. O custo dos leitores digitais ainda é alto (quanto mais no Brasil) para grande parte da população.

A questão aqui é sobre o papel do e-book para as crianças. Com toda a parafernália que pode vir embutida na história, a criança o tratará como livro ou livro-brinquedo? Será que ela se concentrará no texto tendo tantos barulhinhos e botõezinhos para explorar? 

A Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria sobre e-books da qual retirei um trecho:
"É a emergência de outro tipo de mídia, que dá a possibilidade de usar outro suporte, como som, música. Mas o importante é saber lidar com a diversidade", afirma Maria José Nóbrega, assessora pedagógica de literatura da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e de colégios particulares.
Segundo ela, o livro digital, com recursos que simulam barulhos ou ações do personagem, acabam não permitindo que a criança imagine o que está lendo e exerça a criatividade, por isso é importante manter a leitura do livro de papel.
Ilan Brenman, doutor em educação pela USP e escritor de livros infantis, acredita que o livro digital interativo se aproxima mais da linguagem da televisão, do cinema e dos jogos eletrônicos.
"Quando você dá um iPad para a criança, ela brinca com aquilo. Leitura não é exatamente o que ela está querendo", afirma.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/saber/874558-livros-interativos-comecam-a-ser-usados-na-educacao-de-criancas.shtml

Eu acredito que o livro eletrônico chegou para substituir o impresso. Mas creio que o excesso de interatividade poderá atrapalhar. Em um primeiro momento, testemunharemos uma invasão de textos com luzes, jogos e demais novidades que o e-book infantil pode oferecer. Mas com o tempo as histórias voltarão ao simples texto e imagem, com um ou outro pequeno aplicativo que contribua. Será algo como o uso do Flash em sites. No começo todos queríamos animação e movimentos. Descobrimos depois que além de cansar, isso tirava a atenção do conteúdo principal. Hoje o Flash é usado como apetrecho e cada vez mais gente substituiu o site pela praticidade do blog.

Não me lembro de livros impressos em Buck Rogers. Nem em Jornada nas Estrelas. Spock lia sobre o universo e suas diversas criaturas na tela de um computador. Se a realidade copiar a fantasia, nossos bisnetos estarão lendo suas primeiras histórias em leitores digitais coloridos e decorados com capas de coelhinhos e monstrinhos felizes.

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